PM diz que suspeito seguiu indigenista e jornalista desaparecidos

Segundo jornal O Globo, informação foi dada por testemunhas que acompanhavam movimentação no rio Itacoaí. Governo do Amazonas diz ainda não haver indícios fortes de crime

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A Polícia Militar do Amazonas obteve indícios de que o pescador Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como Pelado, seguiu o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips enquanto a dupla se deslocava de barco pelo rio Itacoaí, no Vale do Javari, próximo à fronteira com o Peru, no domingo (5). A informação foi revelada em reportagem publicada nesta quarta-feira (8) pelo jornal O Globo. Pelado é suspeito de estar envolvido no desaparecimento da dupla.

Os policiais militares receberam essa informação de testemunhas que viram uma lancha verde com o símbolo da marca nike seguindo a embarcação de Pereira e Phillips. As autoridades rastrearam essa lancha e descobriram que ela pertence ao pescador. Na manhã desta quarta (8), os agentes fizeram buscas em sua residência, localizada na comunidade São Gabriel, mesmo local Pereira e Phillips foram avistados pela última vez antes de desaparecerem. O suspeito foi preso em flagrante por posse de drogas e munição de uso restrito das Forças Armadas (um cartucho calibre 16 deflagrado e munição intacta calibre 762).

Na audiência de custódia, Pelado negou qualquer relação com o sumiço dos dois homens, segundo o delegado titular da 50ª Delegacia Interativa de Polícia, Alex Perez. Ainda de acordo com delegado, outras pessoas deverão ser ouvidas sobre o caso ainda nesta quarta-feira (8). O secretário da Segurança Pública do Amazonas, Carlos Alberto Mansur, disse nesta quarta-feira (8) que não há indícios fortes de crime”.

Em entrevista à rádio CBN na terça-feira (7), o procurador jurídico da Unijava (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), Eliesio Marubo, disse que há três suspeitos de envolvimento no desaparecimento, mas essa informação não chegou a ser confirmada pela polícia.

Também de acordo com o jornal O Globo, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal já tinham sido informados, pelo próprio indigenista que desapareceu, de uma organização criminosa que pratica pesca e caça ilegal no Vale do Javari. Em uma reunião realizada em 4 de abril, Pereira apresentou um mapeamento das atividades ilícitas praticadas na área, inclusive mostrando fotos de homens que agora aparecem como suspeitos. Em todo o período entre essa reunião e o desaparecimento, as autoridades não efetuaram nenhuma ação para investigar as ilegalidades.

A informação de que Pereira e Phillips tinham desaparecido veio a público na segunda-feira (6), através de um comunicado da Unijava e do OPI (Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato).

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