Ministério Público questiona shows de sertanejos em seis estados

Prefeituras de 29 cidades precisam explicar pagamentos de cachês milionários ou de centenas de milhares de reais. Discussão sobre uso de verba pública para apresentações começou após crítica de Zé Neto à Lei Rouanet

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    Vinte e nove prefeituras de seis estados brasileiros que contrataram shows de artistas sertanejos com verbas públicas estão sendo questionadas pelo Ministério Público. As ações começaram após uma polêmica fala do cantor Zé Neto, da dupla com Cristiano, contra a Lei Rouanet e a cantora Anitta durante uma apresentação na cidade de Sorriso (MT), em maio.

    O Ministério Público de Roraima investiga um evento marcado para acontecer em dezembro na cidade de São Luiz, o município menos populoso do estado. A prefeitura havia contratado o cantor Gusttavo Lima para se apresentar em uma vaquejada por um cachê de R$ 800 mil. O Ministério Público do estado solicitou informações sobre como os recursos foram arrecadados e se haverá retorno para os moradores.

    Também com show de Gusttavo Lima, a cidade de Magé, no Rio de Janeiro, está sendo investigada pelo Ministério Público do estado. A festa de aniversário do município pretende pagar ao cantor R$ 1 milhão. O valor é dez vezes maior que todo o restante do investimento programado pela prefeitura para atividades artísticas e culturais em 2022.

    Já a Festa da Banana de Teolândia (BA), pagaria a Gusttavo Lima um cachê de cerca de R$ 700 mil. O show havia sido cancelado pela Justiça após pedido do Ministério Público baiano, mas a prefeitura de Teolândia recorreu e, no sábado, o Tribunal de Justiça liberou o evento. No domingo (5), o Superior Tribunal de Justiça suspendeu a decisão que autorizava a apresentação.

    O Ministério Público do Rio Grande do Norte também pediu o cancelamento de dois shows, de Wesley Safadão e de Xand Avião, com cachês de R$ 600 mil e R$ 400 mil, respectivamente, que estavam marcados para acontecer na festa junina de Mossoró.

    O Ministério Público de Minas Gerais apurava os pagamentos para a festa na cidade de Conceição do Mato Dentro, quando o prefeito cancelou os shows de Gusttavo Lima e da dupla Bruno & Marrone, que receberiam R$ 1,2 milhão e R$ 520 mil, respectivamente, pelas apresentações. No Mato Grosso, 24 cidades estão sendo questionadas pelo Ministério Público do estado.

    Em maio, o cantor sertanejo Zé Neto, da dupla com Cristiano, criticou a Lei Rouanet e a cantora Anitta em um show na cidade de Sorriso (MT), dizendo que não dependia da lei de incentivo e que não precisava “fazer tatuagem no toba pra mostrar se a gente tá bem ou não, a gente vem simplesmente aqui e canta”. Pela apresentação em que fez a crítica, a dupla recebeu um cachê de R$ 400 mil da prefeitura em uma contratação que não exige licitação. O modelo é diferente do da Rouanet, que tem uma série de exigências e diferentes fontes de recursos e que paga até R$ 3.000 por artista. Nas redes sociais, a discussão ganhou repercussão com a hashtag #CPIdoSertanejo.

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