Bolsonaro parabeniza PM do Rio por chacina na Vila Cruzeiro

Operação que deixou 23 mortos foi a segunda mais letal da história do estado. Presidente chamou policiais de ‘guerreiros’ e vítimas de ‘marginais’

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    O presidente Jair Bolsonaro parabenizou na noite de terça-feira (24) a Polícia Militar do Rio de Janeiro pela operação policial que deixou 23 mortos na comunidade da Vila Cruzeiro, zona norte da capital fluminense.

    Em publicação no Twitter, o presidente disse que 20 "marginais" foram mortos, afirmou lamentar a morte de uma moradora em meio ao confronto e disse que a ideia da polícia era prender os suspeitos fora da comunidade, mas isso não foi possível, de acordo com ele, pelo ataque dos suspeitos aos policiais.

    "Parabéns aos guerreiros do Bope e da @PMERJ que neutralizaram pelo menos 20 marginais ligados ao narcotráfico em confronto, após serem atacados a tiros durante operação contra líderes de facção criminosa", escreveu Bolsonaro na rede social sobre a chacina, feita em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). "A operação vinha sendo planejada há meses e os agentes de segurança monitoravam os passos de chefões do tráfico com objetivo de prendê-los fora da comunidade, o que não foi possível devido ao ataque da facção, fazendo-se necessário o uso da força para conter as ações."

    O presidente também disse lamentar a morte de uma moradora de uma comunidade vizinha na operação e o que chamou de "inversão de valores de parte da mídia, que isenta o bandido de qualquer responsabilidade, seja pela escravidão da droga, seja por aterrorizar famílias, seja por seus crimes cruéis". O presidente exaltou ainda o fato de a polícia ter apreendido na operação 13 fuzis, quatro pistolas, 12 granadas e "uma grande quantidade de drogas". Bolsonaro tem nos policiais uma importante base eleitoral e defende o "excludente de ilicitude", que isentaria o agente de segurança de ser responsabilizado por atos que comete no exercício da função.

    O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro abriu um procedimento para investigar as circunstâncias das mortes ocorridas durante a chacina na Vila Cruzeiro e informou em nota que determinou que a PM envie, em um prazo máximo de dez dias, o procedimento de averiguação sumária dos fatos ocorridos durante a operação, "ouvindo todos os policiais militares envolvidos e indicando os agentes responsáveis pelas mortes, além de esclarecer sobre a licitude de cada uma das ações letais". O órgão recomendou, ainda, que todas as armas dos policiais militares envolvidos na ação sejam apreendidas e enviadas para exame pericial para que sejam comparados com os projéteis que venham a ser retirados das vítimas da operação desta terça-feira.

    A chacina de Vila Cruzeiro é a segunda mais letal da história do Rio, equiparando-se à chacina da Vila Operária em Duque de Caxias, em 1998, e ficando atrás apenas do massacre de Jacarezinho, que acabou com 28 mortes em maio de 2021. Chacinas são parte do cotidiano do estado.

    NOTA DE ESCLARECIMENTO: As autoridades do Rio chegaram a divulgar que a operação na Vila Cruzeiro havia deixado 26 mortos. O número consolidado, porém, é de 23 vítimas fatais. A informação foi atualizada às 13h52 de 27 de maio de 2022.

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