Doria desiste de ser candidato a presidente pelo PSDB

Ex-governador de São Paulo não decolava nas pesquisas de intenção de voto e enfrentava conflitos dentro do partido, que deverá apoiar Simone Tebet, do MDB

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    João Doria anunciou nesta segunda-feira (23) que desistiu de sua pré-candidatura à Presidência pelo PSDB. “Para as eleições deste ano, me retiro da disputa com o coração ferido, mas com a alma leve”, disse o ex-governador de São Paulo num pronunciamento na zona sul da capital paulista.

    O anúncio foi feito um dia antes da data marcada para uma reunião do PSDB a fim de definir como o partido se posicionará nas eleições de outubro. Doria venceu as prévias tucanas para ser o candidato da sigla à Presidência, mas desde então passou a sofrer grande resistência interna.

    O ex-governador gaúcho Eduardo Leite, derrotado nas prévias, continuou se articulando para ser o candidato do partido, e a cúpula tucana também passou a negociar o apoio a chapas encabeçadas por outras siglas, como uma candidatura da senadora Simone Tebet, do MDB de Mato Grosso do Sul. O argumento usado é o de que Doria enfrenta alta resistência do eleitorado, que dificilmente poderia ser revertida ao longo da campanha.

    “Hoje, neste 23 de maio, serenamente, entendo que não sou a escolha da cúpula do PSDB”, disse Doria em seu discurso. “Agradeço também aos mais de 6 milhões de brasileiros que, nas pesquisas de opinião pública, já manifestaram a intenção de votar no meu nome para presidente, antes mesmo do começo da campanha eleitoral”, também afirmou o tucano.

    “Aceito esta realidade com a cabeça erguida. Sou um homem que respeita o bom senso, o diálogo e o equilíbrio. Sempre busquei e seguirei buscando o consenso, mesmo que ele seja contrário à minha vontade pessoal. O PSDB saberá tomar a melhor decisão no seu posicionamento para as eleições deste ano”

    João Doria

    ex-governador de São Paulo, em pronunciamento no dia 23 de maio de 2022

    Nas pesquisas de intenção de voto, Doria não passava dos 4% no melhores cenários, atrás de nomes como Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A implosão da autointitulada terceira via, que já passou pela desistência do ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (União Brasil), é vista por analistas políticos como um fator que fortalece a candidatura de Bolsonaro à reeleição.

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