Buffalo tem protesto após massacre racista em supermercado

Moradores da cidade no estado de Nova York se reuniram em frente ao local do ataque, classificado como ‘terrorismo doméstico’ pelo presidente dos EUA

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    Cerca de 200 moradores se reuniram neste domingo (15) para protestar contra o racismo, um dia após um atirador matar 10 pessoas em um supermercado em Buffalo, no estado de Nova York. Além de cartazes e faixas com frases como vidas negras importam, os manifestantes fizeram uma vigília pelos mortos no ataque.

    A polícia já tem provas de que o ataque teve motivações racistas. O supermercado onde ocorreu o massacre fica na Jefferson Avenue, bairro predominantemente negro de Buffalo. Das 13 vítimas – sendo 10 mortas e 3 feridas, 11 eram negras.

    Os manifestantes pediram medidas contra crimes de ódio no país. O atirador, um jovem branco de 18 anos, identificado como Payton S. Gendron, entrou no supermercado com um rifle e trajes militares e escolheu vítimas negras. Ele não era morador de Buffalo e dirigiu até o local para cometer o crime de forma premeditada.

    Segundo as autoridades policiais e o FBI, polícia federal dos EUA, o atirador transmitiu o atentado ao vivo pela plataforma de videogames Twitch. As cenas de violência ficaram no ar por dois minutos, e a empresa retirou o conteúdo e bloqueou o perfil do jovem.

    As investigações também apontam que Gendron já havia publicado um manifesto racista na internet. No texto, ele falava sobre o desejo de expulsar do país todas as pessoas que não descendem de europeus.

    Em entrevista para o canal de TV CBS, o prefeito de Buffalo, Byron Brown, disse que o atirador foi para a cidade com a intenção de tirar o máximo de vidas negras possível. Nos vídeos que circulam pelos aplicativos de mensagens, há imagens que mostram com clareza o jovem escolhendo as vítimas por causa da cor da pele.

    A governadora do estado de Nova York, Kathy Hochul, pediu um maior controle no acesso de armas e declarou que o discurso de ódio combinado com essa facilidade é a combinação letal para a violência nos EUA. Hochul chamou atenção para o fato de o rifle ter sido comprado legalmente em Nova York.

    Os EUA convivem com atentados com armas de fogo de forma corriqueira, o que já nomeado como uma epidemia pelo presidente Joe Biden. Em comunicado no sábado (14), Biden disse que o país está em luto. Não precisamos de mais nada para afirmar uma verdade moral clara: um crime motivado por ódio racial é abominável para o tecido desta nação, diz o texto.

    Biden também nomeou o atentado como terrorismo doméstico, perpetrado em nome de uma repugnante ideologia nacionalista branca, contrária a tudo o que defendemos na América. O ódio não deve ter porto seguro.

    Outros massacres racistas ocorreram no país recentemente. Em 2019, 20 pessoas foram mortas em uma loja do Walmart, na cidade de El Paso, no Texas. Em 2018, 11 morreram em um ataque antissemita em uma sinagoga de Pittsburg.

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