Cientista Carlos Nobre é 2º brasileiro a integrar Royal Society

O primeiro foi Dom Pedro 2º em 1871. Pesquisador da USP escolhido em 2022 se notabilizou por pesquisar as mudanças climáticas na Amazônia, alertando para os perigos do desmatamento

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    O cientista brasileiro Carlos Nobre se tornou nesta terça-feira (10) o segundo brasileiro na história a integrar a Royal Society. O primeiro foi Dom Pedro 2º em 1871. O pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo) faz parte de uma lista de 60 nomes que entram para academia científica mais antiga do mundo, fundada em Londres no ano de 1660. Os novos integrantes são escolhidos por apresentarem trabalhos excepcionais em suas respectivas áreas.

    Cientista ambiental há mais de 40 anos, Nobre se notabilizou por pesquisar as mudanças climáticas na Amazônia. Em seus estudos, ele alerta para a possibilidade de o desmatamento ocasionar uma “savanização” da maior floresta tropical do mundo. “A Royal Society está dando reconhecimento internacional aos riscos que a Amazônia enfrenta”, afirmou o pesquisador à Reuters.

    Ao jornal da USP Nobre afirmou que sua eleição para a Royal Society ressalta a importância da ciência para colocar o Brasil no caminho da sustentabilidade. “Não que estejamos vencendo esta guerra; está muito difícil. Mas é o papel da ciência, de expor todos os riscos que corremos com o desaparecimento das florestas, dos biomas brasileiros, com o aumento dos extremos climáticos e das queimadas. Tudo isso temos alertado, por décadas”, disse.

    Atualmente, Nobre desenvolve no Instituto de Estudos Avançados o projeto Amazônia 4.0, focado na construção de fábricas portáteis voltadas para o aprimoramento de cadeias produtivas sustentáveis na floresta e nas comunidades locais. Além disso, ele atua como diretor científico do Instituto de Estudos Climáticos da Universidade Federal do Espírito Santo.

    Além do cientista paulistano e do imperador do século 19, uma outra pessoa nascida no Brasil foi eleita para a Royal Society, o biólogo ganhador de Prêmio Nobel Peter Medawar. No entanto, ele preteriu a nacionalidade brasileira pela britânica, tendo sido registrado na Embaixada do Reino Unido ao nascer. Além disso, mudou-se com a família para a Inglaterra aos 15 anos.

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