Bolsonaro exorta Forças Armadas e PMs a reagir contra ‘marginais’

Em discurso em formatura de policiais militares em São Paulo, presidente afirma que tais ‘marginais’ atuam ‘em gabinetes com ar-condicionado’ para ‘roubar a nossa liberdade’

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    Jair Bolsonaro exortou as Forças Armadas e as Polícias Militares a combater “marginais do passado” que hoje atuam “em gabinetes com ar-condicionado” para “roubar a nossa liberdade”. O presidente não citou diretamente quem seriam tais “marginais”, mas as referências usadas no discurso apontam para ministros do Supremo Tribunal Federal. As declarações foram dadas nesta sexta-feira (13), durante uma formatura na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em São Paulo.

    Nós, pessoas de bem, civis e militares, precisamos de todos para garantir a nossa liberdade. Porque os marginais do passado hoje usam de outras armas, também em gabinetes com ar-condicionado, visando roubar a nossa liberdade, disse Bolsonaro. E começam roubando a nossa liberdade de expressão, começam fustigando as pessoas de bem, fazendo com que eles desistam do seu propósito. Nós, Forças Armadas, nós, forças auxiliares, não deixaremos que isso aconteça.

    O presidente ataca ministros do Supremo de forma recorrente. Já xingou alguns deles de “canalha” e de “filho da puta”. Mais recentemente, concedeu um perdão judicial ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) um dia depois de o tribunal condenar o parlamentar por ataques e incitação à violência contra os ministros da corte. O argumento de Bolsonaro para conceder o perdão era que estava defendendo a “liberdade”. No dia em que foi condenado, Silveira, um bolsonarista radical, chamou o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, de “marginal”.

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    O presidente ataca ministros do Supremo pelo menos desde 2020, por causa de decisões do tribunal que o desagradam. Períodos de investidas mais contundentes são alternados por breves recuos. Em 2022, além do Supremo, Bolsonaro também mira no Tribunal Superior Eleitoral, tentando colocar em xeque a segurança das urnas eletrônicas num ano em que vai tentar a reeleição, mas está atrás nas pesquisas de intenção de voto.

    Bolsonaro usa as Forças Armadas para legitimar seu discurso. Os militares, por sua vez, endossam o discurso presidencial. Na manhã de quinta-feira (12), o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, que também é do Supremo, declarou que, embora os militares participem do processo eleitoral como convidados, as eleições são assunto da “sociedade civil” e das “forças desarmadas”.

    Horas após a fala de Fachin, Bolsonaro afirmou em sua live semanal que o ministro “vê fantasmas de que as Forças Armadas querem interferir na Justiça Eleitoral”. Segundo ele, os militares não estão “se metendo” nas eleições, mas sim foram convidados a participar do processo.

    No discurso desta sexta (13), antes de instigar as Forças Armadas e Polícias Militares a agir contra marginais, o presidente defendeu o “excludente de ilicitude”, que afrouxa a responsabilização de policiais que matam em serviço. Segundo Bolsonaro, dentro de um gabinete com ar-condicionado há sempre “um burocrata que inferniza a vida de vocês [PMs] após o cumprimento de uma missão”.

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