Câmara de Curitiba vai investigar racismo contra vereador

E-mail que dizia que Renato Freitas deveria ‘voltar para a senzala’ foi enviado da conta do parlamentar Sidnei Toaldo, que nega ser o autor da mensagem

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    Uma sindicância foi aberta nesta quarta-feira (11) pela Corregedoria da Câmara dos Vereadores de Curitiba para apurar a autoria de um e-mail com ofensas racistas destinado ao vereador Renato Freitas (PT). O endereço de correio virtual utilizado para enviar a mensagem pertence ao vereador Sidnei Toaldo (Patriota), que nega ter sido o autor da mensagem.

    “Eu não tenho medo de você ou dos esquerdistas vagabundos que te defendem, seu negro. A Câmara de Vereadores de Curitiba não é seu lugar, Renato. Volta para a senzala”, está escrito no e-mail. Vamos branquear Curitiba e a região Sul, queira você ou não. Seu negrinho”, diz outro trecho.

    Toaldo afirmou ao portal G1 que, junto de seus advogados, acionou a Polícia Civil para apurar o uso indevido de sua conta institucional. Já Freitas afirmou que registrou Boletim de Ocorrência no Núcleo de Combate aos Cibercrimes da corporação. Ele acredita que a mensagem tenha sido enviada por Toaldo ou alguém ligado a ele.

    O vereador do Patriota é autor do relatório que pediu a cassação do petista por quebra de decoro parlamentar. O processo foi aprovado na terça-feira (10) pelo Conselho de Ética da Câmara municipal de Curitiba e será ainda avaliado em plenário pelos 38 vereadores da Casa. A defesa do vereador petista tem até terça-feira (17) para recorrer da decisão do Conselho de Ética junto à Comissão de Constituição e Justiça.

    O pedido de cassação foi feito por Toaldo após Freitas ter participado de um protesto antirracista em fevereiro de 2022. Ele e outros manifestantes entraram na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, na capital paranaense, pedindo justiça por Moïse Kabagambe, que morreu após ser espancado em um quiosque da praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

    O teor e a validade do protesto foram alvos de disputa. O padre Luiz Haas e a Arquidiocese de Curitiba dizem que o protesto foi uma invasão durante a missa. Freitas diz que não houve invasão, que a entrada na igreja se deu após o fim da celebração religiosa e que, em certo momento, o padre Luiz Haas chegou a ficar ao lado dos manifestantes.

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