Jacarezinho: polícia destrói memorial para mortos em chacina

Placa com nome de 28 vítimas de operação mais letal da história do Rio foi derrubada por policiais civis dias depois de ser inaugurada por moradores da comunidade

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    Agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro derrubaram nesta quarta-feira (11) um memorial em homenagem aos mortos na chacina do Jacarezinho, que havia sido inaugurado na sexta-feira (6) por moradores da comunidade. O monumento continha placas com os nomes das 28 vítimas da operação, realizada pela Polícia Civil em 6 de maio de 2021. O momento em que o memorial foi destruído pelos agentes foi registrado em vídeos e fotos publicados nas redes sociais.

    O memorial trazia o nome de 27 moradores do Jacarezinho e do policial André Leonardo de Mello Frias, mortos durante a operação. Ao portal G1, a Polícia Civil afirmou em nota que destruiu o monumento porque o memorial fazia “apologia ao tráfico de drogas” e não tinha autorização da prefeitura. A corporação também disse que a família do policial morto durante a operação não autorizou a inclusão de seu nome.

    A iniciativa de erguer o memorial partiu de uma ação conjunta entre a comunidade e organizações da sociedade civil, por meio do Observatório da Cidade Integrada. A entidade afirmou em nota que “o Memorial foi uma ação concreta para lembrar as 28 vidas perdidas durante a Chacina, sejam elas de civis ou policiais”, e disse que “a violência não pode ser o único caminho para o Estado se fazer presente nas favelas”.

    A carta é assinada por mais de 40 grupos, entre eles coletivos, mandatos de vereadores cariocas, diretórios de partidos políticos como o PT e o PSOL e organizações da sociedade civil como a Coalizão Negra por Direitos, o Instituto Marielle Franco e a Associação Juízes para a Democracia.

    O Ministério Público do Rio de Janeiro fez 13 investigações sobre a operação de 6 de maio de 2021 no Jacarezinho. Dez delas, referentes a 24 das 28 mortes, acabaram arquivadas. Ao todo, seis pessoas foram denunciadas – dois traficantes acusados de terem matado o agente policial morto na ação, e quatro policiais, acusados de terem cometido execuções. Dois deles viraram réus.

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