Bolsonaristas têm aumento atípico de seguidores no Twitter

Presidente e aliados têm crescimento na rede, assim como políticos da direita americana, em números que especialistas atribuem a possível uso de contas automatizadas. Movimento ocorre após compra da plataforma por Elon Musk

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O presidente Jair Bolsonaro (PL) ganhou 65 mil seguidores no Twitter entre segunda (25) e a noite de terça-feira (26). A informação foi publicada por Christopher Bouzy, fundador da Bot Sentinel, uma plataforma de monitoramento de contas falsas automatizadas nas redes sociais, chamadas de bots.

Ainda segundo análise de Bouzy, 61.299 dos novos seguidores Bolsonaro são perfis recém-criados, desde segunda-feira. O fundador da Bot Sentinel disse não acreditar que esse fenômeno seja orgânico – ou seja, ele duvida que mais de 60 mil brasileiros decidiram, num mesmo intervalo de tempo, criar contas na rede e seguir o presidente da República. O crescimento de seguidores de Bolsonaro superou com folga a média diária usual de novos usuários do presidente, que fica em torno de 4.200, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

O movimento segue acontecendo na quarta-feira (27). Além de Bolsonaro, outros nomes da extrema direita também registraram crescimento atípico desses números. Fenômeno semelhante aconteceu nos EUA, onde membros do Partido Republicano registraram um boom de seguidores. No Brasil, alguns nomes que tiveram alta foram:

  • O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente
  • O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente
  • O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do presidente
  • A deputada federal Bia Kicis (PL-DF)
  • A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)
  • O deputado federal Helio Lopes (PL-RJ)
  • O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles
  • O ex-secretário de Cultura Mário Frias

Os movimentos ocorrem nos dias seguintes ao anúncio do acordo de compra do Twitter pelo bilionário sul-africano Elon Musk, alinhado a ideias da extrema direita. Ele critica a moderação de conteúdo e a remoção, pela rede social, de perfis que espalham desinformação, como o do ex-presidente americano Donald Trump, do Partido Republicano. A operação ainda não foi concluída, mas Musk promete rever essas regras quando se tornar controlador da empresa. Ele também disse querer acabar com o uso de bots.

À revista CartaCapital, Pedro Barciela, especialista em monitoramento de redes, disse concordar que o mais provável é que o aumento nos seguidores não seja orgânico, em especial porque o movimento não foi acompanhado por um aumento equivalente nas interações entre os usuários. Para ele, não é possível associar a compra do Twitter por Musk ao comportamento dos perfis que passaram a seguir figuras ligadas à extrema direita no Brasil e nos EUA.

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