Orixás e afrofuturismo são destaque em desfiles finais no Rio

Carnaval carioca de 2022 celebrou a cultura negra, com metade das escolas explorando o tema, da luta antirracista à exaltação de personalidades

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    A noite do sábado (24) marcou o segundo e último dia do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Seis das doze escolas do grupo especial do carnaval carioca destacaram o povo e a cultura negra em seus enredos de 2022.

    Na sexta-feira (23), primeiro dia de desfile, Salgueiro e Beija-Flor puseram abaixo obelisco e estátuas de colonizadores. No sábado (24), a Paraíso do Tuiuti, que iniciou o desfile, celebrou o afrofuturismo, ligando grandes personalidades negras aos ensinamentos dos orixás e daqueles que povoaram o mundo na diáspora africana.

    A escola levou para a avenida carros em homenagem aos Panteras Negras e às Estrelas Além do Tempo, cientistas negras que foram pioneiras em trabalhos na Nasa, a agência espacial americana.

    Em uma viagem à savana africana, a Portela contou a história do Baobá, árvore sagrada testemunha do tempo, exaltando a ancestralidade e a cultura iorubá. O desfile também rendeu homenagens a Monarco, ícone do samba e presidente de honra da escola, que morreu em dezembro de 2021, aos 88 anos.

    A escola Mocidade Independente homenageou o orixá Oxóssi, que tem sob seu domínio o arco e a flecha. Foi o elemento da flecha que veio no abre-alas, voando na avenida por meio de um drone. O destaque ficou para a rainha de bateria, Giovana Angélica, que raspou a cabeça para vir igual aos ritmistas, vestidos de Oxóssi. Uma das estruturas teve problemas de locomoção e não entrou na avenida, causando um “buraco” entre as alas.

    A Acadêmicos do Grande Rio trouxe em seu enredo Exu, um dos orixás mais importantes das religiões de matrizes africanas, a fim de desmistificar a sua imagem. Transformando lixo em arte, algumas fantasias e elementos utilizaram de retalhos e materiais recicláveis em sua composição. A rainha de bateria, a atriz Paolla Oliveira, veio de Pombagira, a representação feminina de Exu.

    Outras duas escolas desfilaram: a Vila da Tijuca trouxe para a Sapucaí a lenda do guaraná, homenageando o povo Sateré-Mawé, que traz em sua lenda uma criança como personagem central; e a Vila Isabel, última a desfilar, fez um tributo à vida e carreira do cantor Martinho da Vila, presidente de honra da escola, com o enredo “Canta, canta, minha gente! A Vila é de Martinho!”.

    A apuração dos votos dos jurados ocorre na terça-feira (26), quando a escola campeã de 2022 será conhecida.

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