Desfiles no Rio exaltam luta antirracista e derrubam monumentos

Seis das doze escolas do grupo especial do carnaval carioca destacam o povo e a cultura negra em seus enredos de 2022. Salgueiro e Beija-Flor põem abaixo obelisco e estátuas de colonizadores

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    Depois do adiamento do carnaval de 2022 por causa da variante ômicron da covid-19, a sexta-feira (22) marcou o primeiro dia de desfile das escolas de samba que integram o grupo especial do Rio de Janeiro. Metade das agremiações traz no enredo a exaltação à cultura, à religião e à resistência do povo negro.

    O Salgueiro falou de negritude. Iemanjá, rainha do mar, foi lembrada em um tripé e alas tiveram componentes vestidos como pais de santo, capoeiristas e ativistas pelos direitos dos negros. Personagens negros e negras foram lembrados, como Mercedes Baptista, primeira bailarina negra do Brasil, interpretada pela também bailaria Ingrid Silva. No desfile, a escola derrubou um obelisco em que estava escrito a palavra “racismo”.

    A Beija-Flor mostrou a história sob a ótica do povo negro e dos seus intelectuais. O enredo destacou a contribuição intelectual negra para construção de um Brasil mais africano. O desfile também apresentou a contribuição cultural e artística dos povos africanos para a humanidade: filosofia egípcia, matemática, religião, astronomia e outros pilares do pensamento negro. Um dos carros alegóricos de destaque representou a derrubada de monumentos considerados racistas, a exemplo da estátua do bandeirante Borba Gato, que fica na zona sul de São Paulo e em 2021 foi incendiada pelo grupo Revolução Periférica.

    No desfile deste sábado (23) as escolas Paraíso do Tuiuti, Portela, Mocidade Independente e Grande Rio também vão destacar a história e ancestralidade africanas. A Tuiuti vai celebrar os ensinamentos dos orixás e daqueles que povoaram o mundo na diáspora africana. Mais antiga das escolas, a Portela conta a história do Baobá, árvore sagrada testemunha do tempo. A agremiação de Madureira lembrará que a árvore de origem africana tem sabedoria, resistência e ancestralidade, um portal misterioso para o mundo do divino.

    A escola Mocidade Independente homenageia o orixá Oxóssi, que tem sob seu domínio o arco e a flecha. A Acadêmicos do Grande Rio vem com o enredo sobre Exu, a fim de desmistificar a imagem de um dos orixás mais importantes das religiões de matrizes africanas.

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