Governo derruba sigilo sobre idas de pastores do MEC ao Planalto

Religiosos suspeitos de cobrar propina de prefeitos para facilitar a liberação de verbas da educação estiveram 35 vezes no prédio durante o governo Bolsonaro

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    Depois de impor sigilo sobre a presença dos pastores Arilton Correia e Gilmar Santos no Palácio do Planalto fora da agenda oficial, o governo recuou na quinta-feira (14) e divulgou a informação: os religiosos suspeitos de cobrar propina de prefeitos para facilitar a liberação de verbas do Ministério da Educação estiveram ao menos 35 vezes na sede do Executivo federal durante o mandato do presidente Jair Bolsonaro.

    O GSI (Gabinete de Segurança Institucional) primeiro negou os dados ao jornal O Globo, que havia feito a solicitação via Lei de Acesso à Informação. A prática de impor sigilo sobre agendas de integrantes do governo é comum no governo Bolsonaro e é criticada por especialistas em direito, que veem um uso distorcido da legislação. Sob pressão, o GSI então resolveu derrubar o sigilo.

    Arilton Correia esteve 35 vezes no Planalto, dez delas acompanhado de Gilmar Santos. A dupla esteve em diversos gabinetes que funcionam no prédio, incluindo a Presidência, a Casa Civil, a Secretaria de Governo e o próprio GSI, que é comandado pelo general da reserva Augusto Heleno. A maior frequência se deu em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, mas há registros até fevereiro de 2022, mês anterior à revelação do escândalo.

    Uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo revelou em março que os pastores atuavam numa espécie de gabinete paralelo dentro do Ministério da Educação. Controlavam a liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e até a agenda do então ministro, Milton Ribeiro, que também é pastor. Em seguida, o jornal Folha de S.Paulo revelou um áudio em que Ribeiro afirmava que, a pedido de Bolsonaro, dava prioridade a municípios que tinham relação com Gilmar Santos.

    Ribeiro deixou o MEC depois do escândalo e está sendo investigado, assim como os dois pastores. Todos negam ter agido de forma ilegal na liberação de verbas públicas.

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