Chefia da Petrobras: Landim desiste e Pires fica em xeque

Presidente do Flamengo abre mão de conselho e diz que vai se dedicar ao clube. Indicado para a presidência executiva da estatal, economista sofre pressões por possível conflito de interesse

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    Indicado em março para o conselho de administração da Petrobras, Rodolfo Landim, que é presidente do Flamengo, divulgou comunicado neste domingo (3) dizendo que desistiu do cargo. Segundo a nota, Landim vai se dedicar integralmente ao clube de futebol. A ideia inicial do governo do presidente Jair Bolsonaro era colocar o cartola no comando do conselho, órgão responsável por decisões estratégicas da estatal.

    Apesar do tamanho e da importância da Petrobras para o nosso país, e da enorme honra para mim em exercer esse cargo, gostaria de informá-lo que resolvi abrir mão dessa indicação, concentrando todo o meu tempo e dedicação para o ainda maior fortalecimento do nosso Flamengo, diz trecho do comunicado oficial publicado no site do clube. Landim informou ainda que já encaminhou um documento ao Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, sobre a desistência.

    Landim foi funcionário de carreira da Petrobras por 26 anos: entrou na empresa na década de 1980 e passou por diversos cargos. Ele se especializou em engenharia de petróleo e administração de negócios. Também presidiu a Gaspetro (responsável pelas participações societárias da empresa) entre 2000 e 2003.

    Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, o motivo da desistência de Landim tem a ver com possíveis conflitos de interesse, em razão da ligação de décadas do presidente do Flamengo com o empresário Carlos Suarez, sócio de oito distribuidoras de gás no país. Segundo a colunista, Landim é amigo de longa data de Suarez, que já foi investigado pelo Ministério Público Federal por suspeitas de repasses ilegais de recursos feitos a contas na Suíça.

    A decisão de Landim também pode afetar outra indicação: a de Adriano Pires, convidado para a presidência executiva da Petrobras para substituir o general da reserva Joaquim Silva e Luna. Chamado de lobista por pré-candidatos à Presidência como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PDT), Pires trabalha para empresas privadas do setor de petróleo e tem um longo histórico de relações com parlamentares. É próximo, por exemplo, do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL). Pires é sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura e vem sendo pressionado a revelar os nomes dos clientes para quem presta serviço em sua consultoria.

    Com a desistência do conselho por parte de Landim, outro nome será indicado para o posto. A assembleia de acionistas da estatal deve se reunir em 13 de abril para avaliar os nomes indicados, incluindo o substituto do presidente do Flamengo e Adriano Pires.

    As trocas no comando da Petrobras são atribuídas ao descontentamento de Bolsonaro com a política de preços praticada pela estatal, que leva em conta a cotação internacional do barril de petróleo. Pré-candidato à reeleição, o presidente já chegou a dizer que os aumentos sucessivos de preços são um crime contra a população. Desde meados de 2020, gasolina, diesel e gás de cozinha estão subindo no Brasil, uma situação agravada em 2022 com a guerra na Ucrânia.

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