Bolsonaro defende ditadura militar e manda ‘cala a boca’ a STF

Em cerimônia no Planalto, presidente diz que país seria uma ‘republiqueta’ se não fosse regime autoritário, e reclama de ministros do tribunal: ‘bota a tua toga e fica aí. Não vem encher o saco’

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    O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a ditadura militar nesta quinta-feira (31), aniversário de 58 anos do golpe de 1964, e a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal. O discurso do chefe do Executivo aconteceu durante a cerimônia no Palácio do Planalto que oficializou a saída de parte de seus auxiliares para a disputa das eleições em outubro.

    “O que seria do Brasil sem as obras do governo militar? Não seria nada! Seríamos uma republiqueta”

    Jair Bolsonaro

    presidente da República, em discurso em 31 de março de 2022

    Bolsonaro usou a ocasião para fazer ataques a ministros do Supremo. "Nós aqui temos tudo para sermos uma grande nação. Temos tudo, o que falta? Que alguns poucos não nos atrapalhem. Se não tem ideias, cala a boca. Bota a tua toga e fica aí. Não vem encher o saco dos outros", disse, numa referência à vestimenta usada pelos ministros do tribunal. O presidente também defendeu o deputado Daniel Silveira (União Brasil-RJ), que é réu por incitação a atos antidemocráticos e se recusou a cumprir ordem judicial do ministro Alexandre de Moraes, alvo frequente de Bolsonaro.

    Em seus elogios à ditadura, Bolsonaro ignorou o consenso historiográfico sobre o golpe. "O que aconteceu nesse dia? [31 de março de 1964] Nada. Nenhum presidente da República perdeu o mandato nesse dia. Congresso, com quase 100% dos presentes, elegeu Castello Branco presidente à luz da Constituição", afirmou. Na verdade, Castello Branco virou presidente após um golpe que destituiu o presidente João Goulart. A ditadura militar, que durou 21 anos, matou, torturou e censurou as artes e a imprensa.

    As afirmações de Bolsonaro vieram após o Ministério da Defesa saudar as ações das Forças Armadas no golpe de 1964. A publicação da nota foi uma das últimas medidas do general da reserva Walter Braga Netto à frente da pasta. Ele foi exonerado do cargo de ministro nesta quinta e deve ser vice de Bolsonaro na tentativa de reeleição em outubro.

    Bolsonaro faz ataques ao sistema eleitoral, à confiabilidade das urnas eletrônicas e ao Judiciário de forma recorrente em seu mandato. A tensão atingiu um ápice no segundo semestre de 2021, quando o presidente intensificou ataques e, em ato no dia 7 de setembro, afirmou que não cumpriria nenhuma decisão de Moraes e chamou o ministro de “canalha”. Após uma crise marcada pelo risco de ruptura institucional, o presidente recuou e passou a atenuar o extremismo de seu discurso.

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