Francis Kéré se torna 1º arquiteto negro a vencer o Pritzker

Prêmio conhecido como ‘Nobel da arquitetura’ homenageou profissional de Burkina Faso que realiza projetos de infraestrutura pública em regiões de recursos escassos

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    O arquiteto, educador e ativista Diébédo Francis Kéré, nascido em Burkina Faso, foi anunciado nesta terça-feira (15) como vencedor do Prêmio Pritzker de 2022. Ele se tornou o primeiro negro a receber a prestigiosa premiação, organizada anualmente pela Fundação Hyatt desde 1979 e conhecida como o “Nobel da arquitetura”.

    “Francis Kéré é pioneiro de uma arquitetura sustentável à terra e seus habitantes em regiões de extrema escassez de recursos”, afirmou Tom Pritzker, presidente da Fundação Hyatt, ao anunciar o prêmio. “Ele é tanto arquiteto quanto servidor, melhorando as vidas e experiências de incontáveis cidadãos numa parte do mundo que é por vezes esquecida”, continuou.

    “Não é porque você é rico que deve desperdiçar materiais. Não é porque você é pobre que não deve tentar criar [construções] de qualidade. Todo o mundo merece qualidade, luxo e conforto”

    Francis Kéré

    arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker 2022

    Kéré foi o primeiro de sua comunidade no vilarejo de Gando a frequentar a escola, e para isso teve de se mudar à cidade de Tenkodogo, deixando a família para trás aos 7 anos de idade. Em 1985, mudou-se novamente a Berlim, na Alemanha, com uma bolsa em um curso de carpintaria. Acabou conseguindo outra bolsa para estudar arquitetura na Universidade Técnica de Berlim, da qual se formou em 2004. Ele hoje tem dupla cidadania burquinense e alemã e divide seu tempo entre os dois países.

    Suas experiências estudando em escolas com pouca ventilação e iluminação precária influenciaram a criação da Fundação Kéré, em 1998, com o intuito de arrecadar recursos e investir na construção de infraestrutura pública em Burkina Faso. O primeiro projeto da fundação foi a Escola Primária de Gando, desenhada de forma a combater o intenso calor burquinense, usando recursos limitados e materiais e mão-de-obra locais. “As construções de Francis Kéré, feitas para e com suas comunidades, pertencem diretamente a essas comunidades – na sua elaboração, materiais, programas e características únicas”, escreveu o júri do Pritzker.

    Além dos projetos em Burkina Faso, o arquiteto já desenhou construções em países como Dinamarca, Alemanha, Itália, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos. Ele também leciona como professor visitante nas universidade de Harvard e Yale, nos Estados Unidos. Por seu trabalho, recebeu prêmios como o BSI Swiss Architectural Award (2010), o ouro dos Global Holcim Awards de Construção Sustentável (2012) e a Medalha de Arquitetura da Fundação Thomas Jefferson (2021), entre outros. Confira abaixo algumas de suas obras, selecionadas pelo Prêmio Pritzker:

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