Podemos desfilia Arthur do Val após falas machistas em áudios

Alvo de pedidos de cassação por comentários sobre ucranianas, deputado estadual de São Paulo anunciou também sua saída do MBL e disse que não vai tentar a reeleição na Assembleia Legislativa

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    O Podemos anunciou nesta terça-feira (8) a desfiliação de Arthur do Val, deputado estadual de São Paulo também conhecido como Mamãe Falei, que enfrenta pedidos de cassação na Assembleia Legislativa após áudios seus com frases machistas sobre refugiadas ucranianas virem a público na sexta-feira (4).

    O Podemos já havia aberto um processo disciplinar contra o parlamentar no Conselho de Ética do partido. No domingo (6), a legenda informou ter recebido um pedido de expulsão assinado por Márcia Pinheiro e Alessandra Algarin, presidentes nacional e estadual de São Paulo do Podemos Mulher, respectivamente. Prefeitos do Podemos de cinco municípios paulistas também enviaram uma carta à direção do partido pedindo o afastamento do parlamentar.

    Em nota à imprensa, o Podemos destacou que o deputado se filiou à legenda há cerca de 30 dias, como pré-candidato ao governo de São Paulo. Após o vazamento dos áudios nos quais diz que as mulheres ucranianas “são fáceis porque são pobres”, entre outras frases machistas, do Val anunciou no sábado (5) a retirada da pré-candidatura. O parlamentar perdeu o apoio de aliados como o ex-juiz Sergio Moro, pré-candidato à Presidência pelo Podemos, que disse no Twitter que não dividirá palanque com “pessoas com esse tipo de opinião e comportamento”. Moro tem apostado na aproximação com o MBL (Movimento Brasil Livre), do qual Arthur do Val faz parte, na sua tentativa de chegar ao Palácio do Planalto em 2022.

    Em um vídeo publicado nesta terça (8) no seu canal do YouTube, do Val disse que também vai sair do MBL. “Não acho justo que, por conta de um erro meu, outras pessoas paguem”, afirmou sobre a decisão. Disse, no entanto, que vai defender o seu mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo. Numa live, o coordenador do MBL Renan Santos incitou militantes do movimento a ajudar do Val.

    O parlamentar enviou uma carta a colegas deputados estaduais reconhecendo seus erros e a necessidade de punição, mas dizendo que a cassação seria “excessiva”. Ele disse que não pretende concorrer novamente a uma vaga na Assembleia. A cassação o tornaria inelegível por oito anos para qualquer cargo eletivo.

    A presidente do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa, deputada Maria Lúcia Amary (PSDB), disse nesta terça-feira (8) que mais de 30 deputados já assinaram representações pedindo a cassação de Arthur do Val. “A sociedade está esperando uma resposta e a Comissão do Conselho de Ética e do Decoro Parlamentar vai dar essa resposta para sociedade, sim”, afirmou em entrevista ao canal GloboNews.

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