Mais de 3 bi de pessoas são altamente vulneráveis à crise do clima

Alerta é do IPCC, painel de cientistas organizado pelas Nações Unidas, em novo relatório que projeta riscos das mudanças climáticas e necessidade de medidas de adaptação

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O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), grupo organizado pela ONU e considerado a principal autoridade científica sobre o tema, lançou nesta segunda-feira (28) a segunda parte de seu sexto relatório, focada em “Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade”. O material aponta que as nações não estão fazendo o suficiente para proteger cidades, campos e litorais e escancara os impactos humanitários das mudanças climáticas que já estão em curso.

até 3,6 bilhões

de pessoas vivem em contextos que são altamente vulneráveis às mudanças climáticas

Os cientistas afirmam que a preparação para ameaças futuras, como a diminuição da oferta de água doce, exigirá transformações significativas no modo como os países constroem residências, cultivam alimentos (mais resistentes ao calor) e geram energia. Barreiras contra enchentes e sistemas de refrigeração e de alertas para ciclones, como estão sendo feitas em diversos países, são apenas medidas “incrementais”, segundo o relatório.

Ainda assim, se as emissões dos gases que provocam o efeito estufa não diminuírem, e o aquecimento médio global passar de 1,5º C, nem os melhores esforços da humanidade para se adaptar podem funcionar, alerta o documento. Por exemplo, com um aumento de 2º C, entre 800 milhões e 3 bilhões de pessoas em todo o mundo podem enfrentar escassez crônica de água por causa da seca, incluindo mais de um terço da população no sul da Europa.

No caso de um aquecimento de 3º C, inundações causadas pela elevação do nível do mar e tempestades mais fortes podem causar quatro vezes mais danos econômicos em todo o mundo do que provocam atualmente. Até 29% das espécies conhecidas de plantas e animais em terra podem enfrentar um alto risco de extinção.

Apesar das informações alarmantes, o IPCC é considerado um grupo conservador, porque reflete o consenso científico e os estudos mais aceitos da literatura (participam do grupo 270 cientistas, de 67 países). Mais conservadoras ainda são as sínteses das milhares de páginas científicas que o painel redige para o meio político, nas quais a linguagem é negociada em assembleias com governos de mais de 190 países.

A primeira parte do relatório, publicada em agosto de 2021, quantificou o impacto da influência humana no aquecimento global, além de apresentar uma série de outras medições relacionadas ao fenômeno. Mais uma seção será lançada em abril de 2022, concentrada nas propostas de redução de emissões dos gases que causam o efeito estufa. Sete meses depois, em novembro, será realizada a próxima Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP27, no Egito, onde os governos decidirão como botar em prática as recomendações do IPCC.

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