Putin reconhece áreas separatistas e envia tropas à Ucrânia

Territórios Donetsk e Luhansk abrigam grupos pró-Rússia. Na fronteira, Exército diz ter matado soldados ucranianos que estariam tentando uma suposta invasão, mas informação é contestada

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    Vladimir Putin anunciou nesta segunda-feira (21), em pronunciamento na TV, que reconhece a independência dos territórios separatistas de Donetsk e Luhansk, localizados na região de Donbass, leste da Ucrânia.

    O presidente russo justificou a decisão dizendo que os ucranianos não conseguiram formar um estado sólido após o fim da União Soviética, em 1991. Tal situação, segundo Putin, deixou o país dependente dos EUA e da Europa.

    Depois do anúncio, Putin assinou decretos que autorizam o envio de tropas para as regiões separatistas. A investida de Putin ocorreu horas depois de o Exército da Rússia afirmar ter matado cinco soldados ucranianos que teriam cruzado a fronteira entre os dois países nesta segunda-feira (21), de acordo com agências de notícias russas. Os militares disseram ter destruído dois veículos utilizados pelos supostos invasores.

    A Ucrânia nega que o incidente tenha acontecido. O governo de Volodymyr Zelensky afirmou que as suas tropas não estavam posicionadas na fronteira na região de Rostov, que fica no limite entre o sul da Rússia e o leste da Ucrânia, onde os russos afirmam ter ocorrido a suposta invasão.

    Segundo o FSB (Serviço Federal de Segurança) da Rússia, um projétil teria sido disparado do território ucraniano, destruindo completamente um posto de guarda de fronteira nas proximidades de Rostov, sem deixar nenhuma vítima. A agência de notícias RIA compartilhou imagens em vídeo publicadas pelo FSB, mostrando que uma pequena instalação foi destruída. A filmagem não mostra o projétil.

    O presidente russo já havia participado de exercícios militares com mísseis balísticos no sábado (19). Do centro de comando do Kremlin, ele ordenou o disparo de modelos hipersônicos, balísticos e de cruzeiro. O anúncio da ação foi realizado na sexta-feira (18), como se fosse algo de rotina.

    A questão das regiões separatistas

    No fim de 2013, a Ucrânia desistiu de assinar um tratado de livre-comércio com a União Europeia, preferindo estreitar relações com a Rússia. A decisão provocou protestos, manifestações e motins até fevereiro de 2014, levando à deposição do presidente ucraniano Viktor Yanukovych. As tensões escalaram entre manifestantes pró-Kiev e pró-Moscou na península da Crimeia, território da Ucrânia que foi invadido e anexado pela Rússia.

    Mapa mostra a localização da Crimeia e do Donbass

    Desde 2014, a Rússia municia e protege grupos separatistas ucranianos na região de Donbass. Os grupos agem internamente contra o governo ucraniano, a favor dos interesses políticos russos. O reconhecimento da independência das províncias de Donetsk e Luhansk, que ficam na região de Donbass, podem agravar ainda mais a crise no Leste Europeu. A União Eropeia já promete sanções à Rússia.

    A proximidade da Ucrânia com a Otan

    A Rússia entrou em choque com os EUA e a Europa no fim de 2021 depois que a Ucrânia se aproximou da Otan (aliança militar ocidental). Putin exige que os ucranianos se comprometam a não se juntar à organização, medida que as potências do Ocidente se recusam a respaldar.

    O governo russo enviou cerca de 150 mil soldados para a fronteira da Rússia com a Ucrânia, país que integrou a antiga União Soviética e sobre o qual Putin acredita ter ascendência. “A Ucrânia é parte integrante da nossa história”, disse o presidente russo na TV.

    Uma semana antes de reconhecer os separatistas, o presidente russo chegou a anunciar que estava desmobilizando paulatinamente suas tropas na área de fronteira, algo contestado por americanos e europeus.

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