Justiça proíbe médicos da rede municipal de SP de fazer greve

Sindicato havia prometido paralisação nesta quarta-feira (19). Profissionais demandam medidas para atender à disparada de casos de covid-19 diante do avanço da variante ômicron

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    Após médicos que trabalham em unidades básicas de saúde de São Paulo terem confirmado na segunda-feira (17) que entrariam em greve nesta quarta (19), o Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu que haja qualquer tipo de paralisação nos serviços. A decisão liminar (provisória) foi tomada nesta terça-feira (18) pelo vice-presidente da corte, Guilherme Gonçalves Strenger, após um pedido da prefeitura.

    Na decisão, o magistrado afirma que, neste momento, a greve seria abusiva, pois a paralisação nos serviços de saúde na cidade, ainda que parcial, poderia causar dano irreparável ou de difícil reparação aos cidadãos”. Ainda que a greve seja um direito garantido na Constituição, o cenário de pandemia de covid-19 e de epidemia de gripe é de “extrema excepcionalidade”, segundo o texto. A decisão determina multa diária de 600 mil aos médicos caso haja paralisação.

    A paralisação havia sido confirmada na segunda-feira (17) pelo Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo) após uma reunião com as autoridades de saúde da capital terminar sem acordo. A categoria afirma que os profissionais da atenção básica estão sofrendo de exaustão diante da disparada de infecções de covid-19 provocada pela variante ômicron do coronavírus e diante do afastamento de colegas com a doença.

    Os profissionais pedem que a prefeitura contrate imediatamente mais equipes para atendimento de síndromes gripais e garanta abastecimento de insumos e medicamentos e condições mínimas de trabalho, entre outras demandas. Na segunda-feira (17), porém, o sindicato afirmou que o secretário de Saúde da capital, Edson Aparecido, não apresentou nenhuma proposta capaz de atender às necessidades dos servidores.

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    profissionais de saúde de São Paulo tinham sido afastados do trabalho por covid-19 ou síndrome gripal até 13 de janeiro, o que representa um salto de mais de 100% em relação à semana anterior, segundo o Simesp

    A Secretaria Municipal de Saúde da capital paulista disse em nota que apresentou medidas para promover melhorias no atendimento à população nas unidades de saúde e nas condições de trabalho dos profissionais, entre elas o pagamento de horas extras. A pasta também disse ter autorizado a contratação de 700 médicos e equipes de enfermagem para atender ao aumento de demanda nas unidades de saúde. Para o secretário adjunto da pasta, Luiz Carlos Zamarco, a paralisação é uma irresponsabilidade” diante da escalada no número de infecções.

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