Inflação é culpa de energia e fenômeno global, diz Campos Neto

Estouro da meta foi justificado por presidente do Banco Central em carta enviada ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Índice de variação de preços fechou 2021 em 10,06%

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    O descumprimento da meta de inflação em 2021 no Brasil foi motivado pela forte elevação nos preços de bens, tarifa adicional de energia elétrica e desequilíbrios entre oferta e demanda com gargalos nas cadeias produtivas, segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A afirmação consta de uma carta aberta enviada na terça-feira (11) ao ministro da Economia, Paulo Guedes, para justificar o cenário econômico enfrentado pelo país no ano passado.

    Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados na terça-feira (11), o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do Brasil, encerrou 2021 com alta de 10,06%, muito acima do limite máximo de 5,25%. O ano foi marcado por alta nos preços de alimentos, combustíveis e energia elétrica. Contribuíram negativamente para esse processo a elevação nos preços internacionais de commodities, a aceleração da inflação mundial e a desvalorização do real frente ao dólar.

    Na carta, Campos Neto ressaltou que o movimento de alta nos preços foi um fenômeno global que atingiu a maioria dos países avançados e emergentes. Segundo ele, o dólar encerrou 2021 em patamar 9,83% acima do observado no fim de 2020, motivado por ruídos fiscais.

    O presidente do Banco Central afirmou ainda que cadeias produtivas globais apresentaram importantes gargalos, com esgotamentos de estoques de insumos, escassez de semicondutores e aumentos de prazos de entrega e de preços dos fretes. Na análise das razões que motivaram o desvio da inflação, o modelo do banco mostra que o principal fator foi a chamada inflação importada, que combina variação da taxa de câmbio e dos preços de commodities, incluindo petróleo.

    Esta é a sexta vez que um presidente do Banco Central apresenta carta aberta ao ministro da Economia, que preside o CMN (Conselho Monetário Nacional), para justificar o descumprimento da meta de inflação do ano anterior. As explicações já foram dadas nas aberturas de 2002, 2003, 2004, 2016 e 2018. A regra determina que o presidente do banco divulgue a carta sempre que a inflação encerrar o ano fora dos intervalos de tolerância para o IPCA — em 2021, a meta foi de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Para 2022, a meta é de 3,50%, com tolerância máxima de 5,00%.

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