Olaf Scholz toma posse como novo chanceler da Alemanha

Após 16 anos, Angela Merkel se despede do governo e dá lugar a líder do Partido Social Democrata, que obteve maioria no Parlamento em coalizão com verdes e liberais

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    Olaf Scholz, do SPD (Partido Social Democrata), foi eleito chanceler da Alemanha nesta quarta-feira (8), encerrando 16 anos de governo de Angela Merkel, do CDU (União Democrata-Cristã), a mais longeva líder da história recente do país europeu. Em uma coligação inédita com os Verdes e o FDP (Partido Democrático Liberal), o político obteve uma maioria clara de 395 votos dos membros da câmara baixa do Parlamento.

    Seguindo os procedimentos previstos na lei alemã, Scholz foi nomeado formalmente pelo presidente Frank-Walter Steinmeier na sua residência oficial, o Palácio Bellevue, e depois voltou ao Parlamento para fazer o juramento do cargo. À tarde, Merkel entrega a chancelaria oficialmente ao novo líder do país, que enfrenta uma quarta onda da pandemia de covid-19.

    Scholz foi ministro das Finanças e vice-chanceler do governo Merkel. Ele ganhou proeminência na política alemã em 2002, quando assumiu o cargo de secretário-geral da sigla SPD, de centro-esquerda. É identificado como um político conservador dentro do campo progressista. Advogado de formação, Scholz foi também senador e prefeito de Hamburgo (2001-2018). Uma de suas frases mais conhecidas é: “Sou um liberal, mas não estúpido”, usada para explicar que combina austeridade fiscal, liberalismo econômico e bem-estar social.

    É esperado que seu governo mantenha os pilares da estabilidade democrática que marca a história contemporânea da Alemanha, zelando pela institucionalidade de uma das principais potências europeias e servindo de exemplo e de motor para os demais países que compõem o bloco, num momento em que candidatos nacionalistas apostam na xenofobia para combater o projeto de integração em vários países do continente. A perspectiva é de alguma inovação, sobretudo nas metas ambientais, mas de manutenção do essencial.

    Na geopolítica, Scholz terá pela frente as tensões em relação à imigração – um temor que voltou a dominar a agenda política local a partir do comportamento conflitivo do presidente da Belarus, Alexander Lukashenko, que, em novembro, abriu as fronteiras para que imigrantes do Oriente Médio entrassem na União Europeia através da Polônia. Ele terá de administrar ainda as tensões na relação com a Rússia, do presidente Vladimir Putin, que, na Belarus e na Ucrânia, usa temas de agenda nacional desses países para tensionar as relações com a Europa.

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