Mais 34 pesquisadores da Capes renunciam, e total vai a 114

Profissionais de áreas da engenharia reforçam reclamações de colegas que deixaram suas funções no início do mês. Debandada está ligada a impasses da agência para retomar avaliação de cursos de pós-graduação

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    Cerca de 34 profissionais que avaliam cursos de pós-graduação das áreas de engenharias da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) renunciaram aos seus cargos nesta semana, se somando a outros 80 pesquisadores das áreas de matemática, física e química que anunciaram saída do órgão no início deste mês.

    A renúncia coletiva foi anunciada por meio de uma carta, segundo informações divulgadas na terça-feira (7) pelo jornal O Globo. A maior parte dos pesquisadores atuava como consultores das avaliações. Cerca de três deles eram coordenadores da área de engenharias, com mandatos de quatro anos, segundo o jornal.

    Os profissionais repetiram na carta críticas feitas anteriormente por seus colegas de que não há empenho da Capes em retomar a avaliação dos cursos de pós-graduação, que deveria ser feita em 2021. Nomeada em abril de 2021 pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, a atual presidente da Capes, Cláudia Queda de Toledo, assumiu a agência sob críticas da comunidade científica e fez mudanças que criaram impasses para o trabalho, segundo pesquisadores.

    Em setembro de 2021, a avaliação da Capes foi suspensa por ordem judicial, depois de o Ministério Público mover uma ação alegando uso de critérios ilícitos no ranqueamento dos programas de mestrado e doutorado. Segundo a ação, a agência estaria usando para a avaliação critérios que seriam definidos e modificados durante o período avaliativo. Assim, avaliação não traria segurança jurídica para as instituições de ensino, de acordo com o órgão.

    A decisão foi derrubada no início de dezembro. Para os pesquisadores que renunciaram, porém, a Capes não se empenhou em reverter a decisão. Eles também criticam que, embora permita a retomada da avaliação, a nova decisão da Justiça proíbe a publicação de seus resultados até que o Poder Judiciário se pronuncie sobre o mérito da ação. “A falta de garantia de que o resultado da avaliação será tornado público fere os princípios da transparência e do respeito à comunidade acadêmica, que sempre nortearam os trabalhos desta comissão”, afirmaram na carta de renúncia.

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