Governo vai exigir quarentena de viajantes

Anúncio foi feito após ordem do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, que deu 48 horas para o governo informar como pretende conter entrada da variante ômicron

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou nesta terça-feira (7) que o governo federal escolheu não exigir um passaporte de vacina de viajantes que entrarem no país por via aérea, como tem recomendado a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde novembro. Em vez disso, o governo vai exigir uma quarentena de cinco dias e um teste RT-PCR para covid-19 após o isolamento. Depois disso, o viajante estará liberado para circular pelo país, mesmo que não esteja vacinado.

Na segunda (6), o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, acionado pelo partido Rede, apontou a “inércia” do governo federal e deu um prazo de 48 horas para que a Casa Civil e os ministérios da Justiça, Saúde e Infraestrutura se manifestem sobre as recomendações da Anvisa diante da nova variante do novo coronavírus, a ômicron, potencialmente mais transmissível.

Pela nova regra, quem apresentar o certificado de imunização pode circular no país apenas com o resultado negativo do teste para a covid, sem quarentena. Queiroga admitiu nesta terça (7) que “não sabemos ainda o total potencial dessa variante [para] criar uma nova pressão sobre o sistema de saúde”. O ministro da Saúde, que é médico, também minimizou a importância das vacinas na contenção da pandemia, numa suposta defesa das “liberdades individuais”.

“Não se pode discriminar as pessoas entre vacinadas e não vacinadas para a partir daí impor restrições. Até porque a ciência já sabe que as vacinas, elas não impedem totalmente a transmissão do vírus”, disse Queiroga durante entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto, em discurso semelhante ao do presidente Jair Bolsonaro.

Essa questão da vacinação, como realcei, tem dado certo porque nós respeitamos as liberdades individuais. O presidente falou agora há pouco: às vezes, é melhor perder a vida do que perder a liberdade

Marcelo Queiroga

ministro da Saúde e médico, em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto, em 7 de dezembro de 2021

O presidente, que afirma não ter se vacinado, já havia dito mais cedo, também nesta terça (7), que a exigência do comprovante de vacinação em locais públicos, o chamado passaporte vacinal, é uma “coleira que querem botar no povo brasileiro”. Exigências do tipo estão sendo feitas em diversas democracias do mundo, como forma de conter a maior crise sanitária dos últimos cem anos.

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