Ao lado de Moro, general Santos Cruz se filia ao Podemos

Ex-ministro de Bolsonaro, militar entra para partido que abriga ex-apoiadores do bolsonarismo que romperam com o presidente

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    O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, que foi ministro da Secretaria de Governo nos primeiros seis meses da gestão Bolsonaro até ser demitido pelo presidente, se filiou nesta quinta-feira (25) ao Podemos. O partido é o mesmo do ex-juiz e também ex-ministro do governo Sergio Moro, que articula sua candidatura à Presidência da República em 2022.

    O nome de Santos Cruz é ventilado no Podemos como um dos possíveis vices de Moro, que com isso selaria uma aliança com militares descontentes com o governo Bolsonaro. Como alternativa, ele também é cotado para sair candidato a senador pelo Rio de Janeiro, Distrito Federal ou São Paulo.

    Ao lado de Moro no evento de sua filiação em Brasília, Santos Cruz defendeu que a Presidência seja ocupada a partir de 2023 por um “liberal na economia, mas apaixonado pelas causas sociais”. O militar ainda disse que o Brasil não pode continuar procurando e acreditando em um “salvador da pátria”.

    Já Sergio Moro afirmou que o general mostrou “desprendimento e caráter” ao deixar o comando da Secretaria de Governo em junho de 2019. A queda de Santos Cruz foi motivada por pressão do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente. Para o ex-juiz da Lava Jato, que rompeu com o presidente no episódio em que o acusou de interferir na Polícia Federal para proteger aliados, o militar “não teve receio de se retirar do governo quando percebeu que, na verdade, o plano do governo não era construir um país melhor, mas, sim, atender a interesses pessoais do comandante do momento”.

    A cerca de um ano da eleição, Moro tenta se posicionar como um pré-candidato da chamada “terceira via”, uma opção ao presidente Jair Bolsonaro, que deve tentar a reeleição, e a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder das pesquisas de intenção de voto. Para isso, uma das principais apostas do ex-magistrado, que condenou Lula no caso tríplex e depois foi considerado parcial pelo Supremo Tribunal Federal, deve ser o discurso anticorrupção.

    Outro nome ligado à Operação Lava Jato que o Podemos deve anunciar em breve é do ex-procurador da República Deltan Dallagnol, que deixou o Ministério Público para se candidatar, a princípio, a uma vaga na Câmara dos Deputados. Segundo o partido, a filiação dele deve ocorrer em 11 de dezembro.

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