Centenas de balsas de garimpo ilegal atracam em rio na Amazônia

Informações de que havia grande quantidade de ouro em área do rio Madeira atraiu garimpeiros para região, onde extração é proibida. Polícia Federal e Ministério da Defesa preparam ação contra embarcações

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. A maior parte dos nossos conteúdos são exclusivos para assinantes. Aproveite para experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

    Centenas de balsas e dragas usadas por garimpeiros para extrair ouro estão atracadas no rio Madeira, no estado do Amazonas, perto da cidade de Autazes. Os garimpeiros começaram a chegar ao local há cerca de duas semanas, quando receberam a informação de que há grande quantidade do metal precioso na região.

    O Greenpeace estima que no local há mais de 300 barcos clandestinos, que não têm licença ambiental para mineração. As embarcações são usadas para sugar material do fundo do rio, depois filtrar num procedimento em que somente o ouro sobra e o resto dos detritos é devolvido à água. O sistema gera grande prejuízo ao meio ambiente, já que contamina a água e destrói a alimentação de peixes. Em nota, o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) afirmou que a extração de minério é proibida na região.

    A Polícia Federal do Amazonas informou que está ciente da presença ilegal dos garimpeiros e se articula para tomar medidas. O Ministério Público Federal cobrou na quarta-feira (24) sete órgãos, entre eles a PF, as Forças Armadas e o Ibama, para que façam uma ação emergencial integrada para conter os garimpeiros, destruindo os equipamentos se necessário. Na quinta-feira (25), o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que a Marinha e a PF preparam uma ação na região para apreender embarcações ilegais.

    Em áudios divulgados pelo jornal O Estado de S.Paulo na quarta-feira (24), um garimpeiro orienta que os outros impeçam uma possível ação das autoridades contra a extração ilegal de ouro. “Vocês que tem muita balsa aí, ‘fazer’ um paredão mesmo em frente da balsa, entendeu? Uns atrás e uns na frente para ver o que dá. Eles vão respeitar”, diz o garimpeiro. O homem também cita um crime cometido por garimpeiros em 2017 no qual atearam fogo em prédios do Ibama e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), em Humaitá, no Amazonas, após uma operação que apreendeu balsas usadas em garimpos ilegais.

    Com a repercussão do caso na imprensa nacional na quarta-feira (24), órgãos estaduais do Amazonas e federais divergiram sobre a responsabilidade de fiscalizar a presença de atividades ilegais no rio Madeira. Uma porta-voz do Ibama disse ao jornal Folha de S.Paulo que a dragagem ilegal no local é responsabilidade do estado do Amazonas e do Ipaam, não do governo federal. O Ipaam disse que a área é de competência federal.

    Continue no tema

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.