Guedes admite que usou offshore para escapar de impostos

Em audiência na Câmara, ministro da Economia afirma não movimentar contas no exterior desde 2015 e nega uso de informações privilegiadas para benefício próprio

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    O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na terça-feira (23), durante uma audiência na Câmara dos Deputados, que a empresa offshore que mantém nas Ilhas Virgens é “absolutamente legal” e que decidiu enviar recursos para o paraíso fiscal entre 2014 e 2015 para evitar o pagamento de impostos nos Estados Unidos caso morresse.

    Em outubro, veículos de imprensa que integram o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos revelaram a existência de uma offshore em nome do ministro numa série de reportagens batizada como Pandora Papers. As offshores são empresas registradas em jurisdições com tributação baixa ou zero, regulamentação pouco rigorosa do setor financeiro e regras mais severas de segredo bancário e anonimato. A abertura de uma offshore é legal desde que o saldo seja declarado à Receita Federal e ao Banco Central. Funcionários do alto escalão do governo, porém, não podem manter no exterior aplicações que podem ser afetadas por políticas governamentais.

    Um relatório da Rede de Justiça Fiscal, a Aliança Global pela Justiça Fiscal e a Federação Internacional do Serviço Público mostrou que governos ao redor do mundo deixaram de arrecadar pelo menos US$ 483 bilhões em impostos em 2020 porque empresas e pessoas ricas enviaram dinheiro para outros países, entre eles paraísos fiscais.

    Segundo Guedes, a opção pelo uso da offshore, que tem como acionista também sua mulher e sua filha, se deve ao fato de que, em caso de morte de pessoa física, o governo americano poderia “expropriar” 46% das aplicações. Seu patrimônio é de cerca de US$ 10 milhões no exterior. “Então, se você usar offshore, você pode fazer esse investimento. Se você morrer, em vez de ir para o governo americano, vai para a sucessão”, afirmou. Recursos de pessoas físicas que são repassados a herdeiros são taxados em quase 50% nos Estados Unidos.

    O ministro afirmou não movimentar as contas no exterior desde 2015. Segundo ele, os valores foram declarados às autoridades competentes no Brasil e à Comissão de Ética da Presidência da República no momento em que se tornou ministro, em 2019. Guedes também afirmou não ter interesse em usar informações privilegiadas. “Tive oportunidade de vir para o governo antes e não vim. Se fosse alguém que quisesse ganhar, usar conflito de interesses, informação privilegiada, teria vindo antes”, disse.

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