Moradores recolhem corpos em complexo no Rio após ação da PM

Pelo menos oito foram retirados de área de mangue no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, e residentes da comunidade falam em chacina. No sábado, um policial morreu na região

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    Moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), na região metropolitana do Rio de Janeiro, recolheram ao menos oito corpos de uma área de mangue nesta segunda-feira (22) após operação da Polícia Militar na região, que deixou dez mortos, segundo o jornal O Globo.

    No sábado (20), morreu o sargento da Polícia Militar Leandro Rumbelsperger da Silva. A PM diz que integrantes da corporação faziam patrulhamento na região quando foram atacados por criminosos e que o sargento foi baleado e não resistiu. No domingo (21), Carmelita Francisca de Oliveira, uma idosa de 71 anos, foi atingida por uma bala no braço durante ação do Bope (Batalhão de Operações Especiais). Ela foi atendida por uma equipe médica e recebeu alta, segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde.

    Agora, com a retirada de corpos da área de mangue, moradores locais ouvidos pelo portal G1 afirmam se tratar de uma chacina. “Os corpos estão todos jogados no mangue, com sinais de tortura. As pessoas, uma jogada por cima da outra. Estava com sinal totalmente de chacina mesmo”, diz um dos relatos recolhidos pelo veículo.

    Estamos desde ontem em contato com a Associação de Moradores do Complexo do Salgueiro. Há relatos de sinais de tortura nos corpos encontrados. A comissão acompanhará, junto com as outras entidades, mais uma chacina no Rio, mesmo com a proibição das operações. Eles continuam descumprindo as ordens do STF que proíbe operações policiais durante a pandemia. Até o momento sabemos que o Ministério Público não tomou conhecimento da operação que é inadmissível e está fora da lei”, afirmou ao jornal Extra Nadine Borges, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio.

    Em entrevista à rádio CBN na manhã de segunda-feira (22), o Tenente-coronel Ivan Blaz, porta-voz da Polícia Militar, relatou que houve confrontos no final de semana e descartou a hipótese de retaliação pela morte do sargento da corporação no domingo. Segundo Blaz, a PM organiza junto com a polícia civil uma força tarefa para ocupar a região e fazer o trabalho de perícia.

    Trata-se de mais uma operação policial no Rio marcada pela alta letalidade, num contexto em que operações policiais em comunidades estão proibidas por decisão do Supremo Tribunal Federal. Em abril de 2021, uma chacina em Jacarezinho, na zona norte da capital, deixou 21 mortos.

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