Macron recebe Lula com protocolo similar ao de chefe de Estado

Em Paris, ex-presidente brasileiro é escoltado pela Guarda Republicana e tem encontro com líder francês no Palácio do Eliseu. Tour na Europa também incluiu conversa com provável futuro chanceler alemão

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido nesta quarta-feira (17), com honras semelhantes às de um chefe de Estado, pelo presidente da França, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, em Paris. O encontro ocorre pouco menos de um ano antes das eleições presidenciais brasileiras, nas quais Lula aparece liderando pesquisas de intenções de voto.

A deferência feita por Macron ao líder petista contrasta com o tratamento frio ou abertamente inamistoso dispensado pelo governo francês ao presidente Jair Bolsonaro. Os atritos entre Macron e Bolsonaro tiveram início em 2019. Na 45ª Cúpula do G7, em Biarritz, o presidente francês criticou a política ambiental do governo brasileiro. Em resposta, Bolsonaro endossou ofensas à primeira-dama da França, Brigitte Macron. O brasileiro não estava no encontro do G7 em Biarritz, mas o tema ambiental e a Amazônia, em especial o aumento nas queimadas na região, estavam no topo da agenda. No mais recente encontro de líderes do G20, no fim de outubro de 2021, na Itália, a passagem de Bolsonaro foi marcada pelo isolamento.

O encontro entre Lula e Macron no Eliseu não traz ganhos apenas para a imagem do petista. Macron é candidato à reeleição na disputa que acontece em abril de 2022 e, como político de centro-direita, busca ampliar sua votação em todos os setores ideológicos, na tentativa de se credenciar como a melhor aposta contra a ascensão da extrema direita, que é representada por duas candidaturas: a de Marine Le Pen e a de Éric Zemmour.

O encontro entre Macron e Lula ocorreu longe dos olhos da imprensa. O petista publicou em suas redes um vídeo com imagens de sua recepção no Eliseu e disse que os dois discutiram "a urgência climática e questões globais como a fome e a pobreza".

Lula cumpre uma agenda de palestras e encontros políticos na Europa desde quinta-feira (11). Em Berlim, ele foi recebido por Olaf Scholz, que está perto de formar uma coalizão governista que o permita substituir Angela Merkel no posto de chanceler. Na Bélgica, Lula discursou na sede do Parlamento Europeu, em evento sobre a América Latina criado por parlamentares social-democratas. Depois de passar pela França, Lula encerra o giro europeu na Espanha.

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