Governo cubano detém opositores e frustra atos contra o regime

Ativistas e jornalistas foram presos ou impedidos de sair de suas casas para protesto organizado por grupo dissidente quatro meses depois de manifestações que levaram milhares às ruas

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    O governo cubano prendeu opositores no dia da manifestação contra o regime que estava marcada para esta segunda-feira (15), segundo informações de agências de notícias. Os protestos, que vinham sendo organizados pela internet com apoio de dissidentes do regime no exterior, foram proibidos poucos dias antes.

    Os atos foram agendados para esta data por se tratar do primeiro dia em que turistas puderam retornar à ilha, após o fim das restrições sanitárias, e por ser feriado na capital, Havana. Organizados pelo grupo opositor Arquipélago, os protestos encampam as bandeiras de libertação de presos políticos e defesa dos direitos humanos e da democracia.

    Relatos nas redes sociais e informações de agências de notícias indicam que dissidentes e jornalistas foram impedidos de sair de suas casas. Foi o caso de Abraham Jiménez Enoa, do Washington Post, que está em prisão domiciliar, e profissionais da agência espanhola Efe, que tiveram credenciais suspensas e não puderam circular sem o risco de serem presos. Ativistas e jornalistas relataram que a internet esteve instável nos últimos dias, prejudicando transmissões.

    As ruas de Havana contaram com policiamento ostensivo, com agentes de segurança uniformizados e vestidos como civis, segundo o jornal El País, que relatou que a cidade não teve pontos de protestos ao longo do dia e poucas pessoas foram vistas nas ruas vestindo branco, como pedido pelos organizadores do ato.

    Os protestos desta segunda (15) estavam previstos para ocorrer quatro meses após as manifestações históricas e espontâneas de 11 de julho, que levaram milhares às ruas. Os protestos deixaram um morto, dezenas de feridos e 1.270 pessoas detidas, das quais 658 ainda estão presas, segundo a ONG de direitos humanos Cubalex. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou a manifestação como “ilegal” e afirmou que seu pano de fundo é a "estratégia imperialista" dos Estados Unidos.

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