Ministro é criticado por associar floresta e pobreza na COP26

Discurso de Joaquim Leite na conferência do clima usa ideia ultrapassada de que preservação e economia são antagônicos, dizem ambientalistas

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Um trecho do discurso do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, feito nesta quarta-feira (10) na COP26, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, na Escócia, foi criticada por ambientalistas e ONGs (organizações não governamentais) de preservação ao meio ambiente. Leite disse que é preciso reconhecer que “onde há muita floresta há muita pobreza.

O ministro se referia às medidas adotadas pelo governo no setor ambiental, como o programa "Floresta+", que faz pagamento por serviços ambientais, compensando pequenas propriedades pela conservação de áreas com cobertura vegetal. O programa foi instituído em julho de 2020, embora tenha sido anunciado durante o governo de Michel Temer.

“Reconhecemos também que onde existe muita floresta também existe muita pobreza. E, para promover o desenvolvimento sustentável da região, criamos o Programa Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais Floresta+, que busca fomentar o mercado de serviços ambientais, reconhecendo e remunerando quem cuida de floresta nativa”

Joaquim Leite

ministro do Meio Ambiente, em discurso na COP26

Ambientalistas consideraram que a fala remonta a uma noção ultrapassada – porém presente nas medidas e ações do governo Bolsonaro – que coloca a preservação ambiental como um custo econômico.

Estudos mais recentes demonstram que desmatamento e economia não são antagônicos. O ato de desmatar não traz benefícios econômicos como considerável aumento do PIB ou ampliação da produção agropecuária, por exemplo, e desconsidera que os recursos são finitos e que perdê-los pode trazer prejuízos à própria economia. Incentivar a destruição de florestas, por exemplo, pode diminuir a oferta de chuvas, o que prejudica setores como a agricultura e o de energia.

“Essa é uma frase infeliz e desatualizada”, disse ao jornal Valor Econômico o diretor-executivo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), André Gonçalves, que chamou a fala de um reconhecimento de culpa pelo Brasil não ter criado condições de valorização das populações que convivem com a floresta. Ainda segundo ambientalistas, o programa Floresta+ segue uma lógica correta, mas não tem avançado na prática.

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