ONU critica plano do Brasil para reduzir emissões de carbono

Publicado às vésperas da conferência sobre o clima na Escócia, relatório reconhece que país fez manobra contábil que na verdade amplia emissões até 2030 

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    Em relatório divulgado nesta terça-feira (26), às vésperas do início da COP26, conferência mundial sobre o clima na Escócia, a ONU (Organização das Nações Unidas) afirma que o Brasil é o único país do G20 que recuou em sua promessa de cortes de emissões de gases de efeito estufa. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.

    O texto se refere a uma medida que o país anunciou em dezembro de 2020, quando propôs uma nova meta para emissões. Com a manobra contábil, em vez de reduzir as emissões, o Brasil adicionou 400 milhões de toneladas de carbono a serem lançadas por ano pelo país até 2030.

    A proposta oficial até 2020 era reduzir até o fim da década 43% das emissões em relação a 2005. Na nova meta, o governo manteve o percentual de 43%, mas aumentou sua estimativa de emissões de 2005, o que fez o número absoluto de novas emissões também crescer.

    O que mudou

    Como era antes

    Em 2015, após a assinatura do Acordo de Paris para o clima, o governo apresentou uma meta que definia redução de 43% das emissões até 2030 em relação a 2005. Na época, considerava-se que no ano base o Brasil havia emitido 2,1 bilhões de toneladas de carbono.

    Como ficou agora

    Em 2018, em uma revisão do inventário de emissões brasileiras, constatou-se que em 2005 o Brasil havia emitido 2,8 bilhões de toneladas de carbono, em vez de 2,1 bilhão. Com isso, em vez de emitir 1,2 bilhão de toneladas por ano até 2030, o Brasil pode emitir 1,6 bilhão.

    Em 2020, o governo federal afirmou que a mudança era um avanço, mas ativistas ambientais apontaram que se tratava de uma manobra. Com a publicação da ONU nesta terça-feira (26), é a primeira vez que um documento oficial da organização critica o recuo do governo brasileiro.

    Segundo o relatório, o retrocesso do país viola uma cláusula do Acordo de Paris para o clima. O texto aponta que os países não podem retroceder nas metas climáticas que apresentam para cumprir com o tratado. Ainda não está claro, porém, se a mudança pode ser punida, segundo o jornal O Globo. A COP26 começa no domingo (31), em Glasgow.

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