Nível de gases do efeito estufa bate recorde apesar da pandemia

Embora tenha havido uma redução temporária das emissões em 2020, concentração de gás carbônico atingiu novo patamar no ano e governos estão longe de metas para o clima, diz relatório da ONU

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. A maior parte dos nossos conteúdos são exclusivos para assinantes. Aproveite para experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

    Gases do efeito estufa, que contribuem com o aquecimento global, atingiram concentração recorde na atmosfera em 2020 e o mundo está “muito longe” de atingir as metas para o clima. As informações são de um relatório divulgado nesta segunda-feira (25) pela OMM (Organização Meteorológica Mundial), agência da ONU (Organização das Nações Unidas).

    Segundo o estudo, os níveis de gás carbônico (CO2) subiram para 413,2 partes por milhão em 2020, superando a taxa média da década de 2010. Isso ocorreu mesmo com a queda temporária de 7% nas emissões, causada pela diminuição da atividade econômica mundial e pelas restrições sociais provocadas pela pandemia de covid-19.

    O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, disse que a atual taxa de aumento dos gases que criam uma barreira na atmosfera e impedem a dissipação do calor resultaria em elevações de temperatura “muito superiores” às metas estabelecidas no Acordo de Paris. O tratado busca limitar o aquecimento médio do planeta a bem abaixo de 2ºC — preferencialmente a 1,5ºC — em relação à média pré-industrial. Até agora, os países ricos não conseguiram cumprir o compromisso de fornecer US$ 100 bilhões por ano em financiamento climático aos países mais pobres, o que estava previsto para acontecer até 2020.

    Os efeitos do aquecimento incluem o derretimento de geleiras e a elevação do nível do mar, e o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como secas, inundações e incêndios florestais incomuns. São fenômenos que teriam impacto sobre os meios de subsistência econômica em todo o mundo e a estabilidade futura do sistema financeiro global.

    Precisamos revisar nossos sistemas industriais, energéticos e de transporte e todo o nosso modo de vida, afimrou Taalas, pedindo por um “aumento dramático” dos compromissos dos países na conferência COP-26, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que começa no domingo (31) em Glasgow, na Escócia.

    Continue no tema

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.