Desigualdade caiu no Brasil de 2002 a 2015, diz novo estudo

Conduzida por economistas do Insper, pesquisa traz diferenças em relação aos resultados de estudos anteriores

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    A desigualdade de renda no Brasil caiu ininterruptamente de 2002 a 2015, segundo novo estudo de pesquisadores do Insper revelado no domingo (24) pelo jornal Folha de S.Paulo. A tendência se inverteu em 2016 e 2017, mas ainda assim os níveis de desigualdade constatados permanecem inferiores aos do início do século.

    Os resultados constam no estudo “Sobre o declínio no grau de desigualdade ao longo do novo milênio”, elaborado por Ricardo Paes de Barros, Samir Cury, Samuel Franco e Laura Muller Machado, com contribuições de Suiani Febroni e Camila Soares. Parte deles apresentou um webinar do Insper nesta segunda-feira (25) para explicar os achados, também detalhados no portal da instituição.

    Os cálculos indicam que o índice de Gini do Brasil recuou de 0,583 para 0,547, entre 2002 e 2017. O índice é um coeficiente matemático que varia de 0 a 1. O menor valor representa um cenário em que a partilha da riqueza gerada ocorre da forma mais igualitária. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade. Considerando a queda na concentração de renda no período de 2002 a 2017, os pesquisadores apontam que cerca de 16 milhões de pessoas deixaram de viver em situação de pobreza.

    Os resultados da pesquisa diferem de estudos mais recentes sobre o tema, que contrariaram o entendimento anterior de que a desigualdade havia diminuído a partir de 2002, quando o PT venceu sua primeira eleição presidencial. Esses últimos levantamentos indicaram relativa estabilidade da distribuição de renda no país no período, ou mesmo aumento da concentração de renda. Esse é o caso de um estudo de novembro de 2020 de pesquisadores do WID (World Wealth and Income Database), instituto liderado pelo economista francês Thomas Piketty.

    Nesse contexto, o que o novo estudo do Insper mostrou é que “a terceira versão da história é parecida com a primeira”, disse a professora Laura Muller Machado durante webinar da instituição.

    O novo trabalho tem uma novidade na base de dados utilizada em relação aos anteriores. Em vez da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), os pesquisadores usaram a POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) — ambas são realizadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). “A POF oferece um ponto de partida melhor, porque parte importante da renda dos mais pobres é não monetária”, disse o economista Ricardo Paes de Barros ao jornal Folha de S. Paulo.

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