Twitter admite que seus algoritmos favorecem a direita

#AcessoLivre | Estudo da empresa realizado em sete países analisou conteúdo sugerido automaticamente na plataforma. Plataforma diz que não sabe ainda por que sistema amplia alcance de conteúdos direitistas.

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    Um estudo produzido pelo próprio Twitter mostra que os algoritmos da plataforma, a partir do aprendizado construído com as interações dos usuários, prioriza o impulsionamento de conteúdos publicados por políticos e veículos de comunicação de direita e centro-direita na maioria dos países examinados. A empresa disse que não está claro por que isso acontece.

    O relatório analisou milhões de tuítes de 1º de abril a 15 de agosto de 2020, considerando publicações de parlamentares de Canadá, França, Alemanha, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Entre esses, o único país onde não se registrou a preponderância das contas com viés direitista foi a Alemanha.

    Desde 2016, é possível que o usuário do Twitter escolha se quer ver sua linha do tempo organizada por ordem cronológica invertida, a partir dos tuítes mais recentes, ou segundo a ordem definida por algoritmos de recomendação. O objetivo da pesquisa foi comparar o alcance de postagens políticas nos dois formatos. A classificação dos conteúdos como direitista ou esquerdista usou critérios estabelecidos por organizações independentes.

    Os dados também mostram que políticos eleitos, independentemente dos partidos a que sejam filiados, têm uma amplificação algorítmica quando comparados ao conteúdo político de ativistas sem cargo público.

    Segundo o relatório do Twitter, “a amplificação algorítmica não é um problema em si”, pois “todos os algoritmos amplificam”. Mas um problema pode existir se o algoritmo distorcer as preferências expressas pelos usuários em suas interações na rede social. A empresa afirma que será preciso realizar uma análise adicional para determinar quais mudanças precisam ser feitas nos sistemas da plataforma.

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