CPI da Covid deve pedir indiciamento de 2 ministros

Segundo jornal Folha de S.Paulo, relator da comissão, Renan Calheiros, ainda avalia a inclusão de um terceiro integrante do primeiro escalão de Bolsonaro. Pelo menos dois filhos do presidente estarão no documento

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    Prestes a apresentar sias conclusões, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, decidiu pedir o indiciamento de ao menos dois ministros de Jair Bolsonaro, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (1) pelo jornal Folha de S.Paulo. São eles Marcelo Queiroga, da Saúde, e Onyx Lorenzoni, ex-chefe da Casa Civil e atual ministro do Trabalho.

    A leitura do relatório de Calheiros deverá ser feita na terça-feira (19), e a votação, na quarta (20). O texto aprovado deverá ser encaminhado a diferentes instâncias do Ministério Público e também a outros órgãos de controle. Se considerarem haver provas suficientes, os procuradores deverão levar os casos à Justiça, para as devidas responsabilizações nos campos civil e criminal.

    Para Renan, Queiroga se “converteu ao negacionismo” de Bolsonaro e deverá responder pelo crime de causar epidemia, por ações como a suspensão sem fundamento da vacinação de adolescentes e a defesa do chamado “tratamento precoce”, ineficaz contra a covid-19. Seu antecessor, o general da reserva Eduardo Pazuello, também aparecerá no documento, assim como seu braço direito no ministério, o ex-secretário-executivo Elcio Franco, coronel da reserva.

    Além deles, Renan considera que Bolsonaro cometeu pelo menos 11 tipos de crimes durante a pandemia, incluindo infração de medida sanitária, charlatanismo e até mesmo homicídio, em razão de suas omissões como chefe do Executivo. O relator já havia anunciado anteriormente a disposição de pedir o indiciamento do presidente.

    O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, também deverá responder criminalmente, segundo Renan, por violar normas sanitárias e também por articular a rede bolsonarista de promoção de desinformação sobre a pandemia. Outro filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também deverá estar no relatório, com dois tipos de acusação: ele teria cometido crimes de infração de medida sanitária e teria conseguido financiadores da rede de desinformação: os empresários Otávio Fakhoury e Luciano Hang. Todos eles negam a existência do esquema.

    Renan ainda considera incluir no relatório um terceiro ministro da composição atual do governo, o general da reserva Walter Braga Netto, que atualmente comanda o Ministério da Defesa. Isso porque, como ministro da Casa Civil, o militar teria participado da reunião em que foi aventada a alteração da bula da hidroxicloroquina. Braga Netto não depôs à CPI.

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