Militares são condenados por mortes de músico e catador no Rio

Em julgamento na Justiça Militar, 8 dos 12 acusados por crimes foram considerados culpados. Ação do Exército que matou Evaldo Rosa e Luciano Macedo envolveu quase 260 disparos

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    Oito dos 12 militares das Forças Armadas acusados de envolvimento nas mortes de um músico que teve o carro alvejado por mais de 60 tiros e de um catador que tentou socorrê-lo na zona oeste do Rio em 2019 foram condenados pela Justiça Militar nesta quinta-feira (14). Eles receberam penas superiores a 28 anos de prisão.

    A perícia apontou que foram disparados quase 260 tiros contra o carro em que estavam o músico Evaldo Rosa, sua esposa, seu filho, uma amiga e seu sogro, que iam a um chá de bebê. O veículo teria sido confundido pelos militares por outro, supostamente usado por criminosos na região. Os militares abriram fogo contra o carro e o músico morreu na hora. O catador de material reciclável Luciano Macedo, que passava pelo local e tentou socorrer a família, também foi atingido pelos disparos feitos pelos militares. Ele morreu dias depois num hospital.

    A Justiça Militar considerou os oito militares culpados pelos crimes de duplo homicídio e tentativa de homicídio (o sogro de Evaldo também foi ferido). O tenente Ítalo da Silva Nunes, que comandou a operação, foi condenado a 31 anos de prisão, enquanto outros sete militares receberam sentenças de 28 anos de reclusão. Quatro deles, que não efetuaram disparos, foram absolvidos. Os réus acompanharam o julgamento presencialmente e estavam fardados. Eles permanecerão em liberdade até que todos os recursos contra a condenação sejam analisados. A defesa dos condenados informou à imprensa que recorrerá das sentenças, que considerou exageradas. Os advogados argumentaram que o local onde o músico e o catador foram mortos é "violento e perigoso".

    "Depois de muito tempo, acho que agora vou conseguir dormir", disse a jornalistas Luciana Rosa, viúva do músico, após o término do julgamento. "Eles não têm noção de como estão trazendo uma paz para a minha alma. Eu sei que não vai trazer o meu esposo de volta, mas não seria justo eu sair daqui sem uma resposta positiva", afirmou. O caso de Rosa e Macedo é parte de um contexto mais amplo nos índices de letalidade causada por agentes de segurança no país. Em 2020, as mortes por intervenção policial bateram recorde desde que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública começou a monitorá-las, em 2013. O país registrou 6.416 assassinatos por policiais militares e civis no último ano — alta de 0,3% em relação a 2019.

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    ESTAVA ERRADO: Uma versão anterior deste texto citava num trecho que o número total de disparos foi maior que 260. Na verdade, foram quase 260. O texto foi corrigido às 15h25 de 14 de outubro de 2021.

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