Na reta final, CPI da Covid desiste de ouvir Queiroga pela 3ª vez

Senadores avaliaram que o novo depoimento pouco acrescentaria aos trabalhos da comissão e poderia ‘dar palanque’ ao ministro, mas afirmam que ele será incluído no relatório final

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    O grupo majoritário de senadores que integram a CPI da Covid decidiu nesta terça-feira (12) desistir de ouvir novamente o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, cujo depoimento estava marcado para o dia 18 de outubro. Esta seria a terceira ida de Queiroga à CPI.

    Segundo o senador Humberto Costa (PT-PE), a decisão foi tomada após reunião de membros da comissão. Os senadores avaliaram que o novo depoimento pouco acrescentaria aos trabalhos da CPI e poderia “dar palanque” ao ministro. Costa e o relator da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmam que, mesmo com o declínio da nova convocação, pedirão o indiciamento de Queiroga no relatório final a ser produzido pela comissão.

    Em junho, o ministro compareceu à CPI da Covid em duas oportunidades. Aos parlamentares, o ministro evidenciou que muitas das decisões do governo relacionadas à pandemia não passam pelo Ministério da Saúde e que muitas das orientações do órgão são ignoradas pelo presidente Jair Bolsonaro. Foi o caso, por exemplo, da decisão de sediar a Copa América no país após Colômbia e Argentina desistirem de receber o torneio por conta da crise sanitária.

    Segundo informações de bastidores, a CPI ouvirá, no lugar de Queiroga, o médico Carlos Carvalho que coordenou um estudo com parecer contrário ao uso dos remédios do chamado kit covid no combate ao novo coronavírus. O estudo seria analisado durante uma reunião da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) na quinta-feira (7), mas foi retirado da pauta. A CPI apontou a interferência de Queiroga na mudança, o que gerou o interesse dos senadores pelo depoimento de Carvalho. Tanto o Ministério da Saúde quanto o médico negam a intervenção.

    Os senadores marcaram para a próxima semana a apresentação do relatório final da CPI. Na terça-feira (19) o documento deverá ser lido por Calheiros e na quarta (20) o parecer será levado. A comissão tem caráter investigativo, por isso o relatório poderá apenas apontar se os investigados cometeram crimes. Eventuais julgamentos e punições são de responsabilidade dos órgãos da Justiça.

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