Alcolumbre diz sofrer ‘agressões’ por não pautar indicação ao STF

Senador reagiu à pressão do governo e de outros parlamentares para marcar a sabatina de André Mendonça, ex-ministro escolhido por Bolsonaro para o Supremo

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    O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, respondeu por meio de nota nesta quarta-feira (13) a pressões do governo federal e de outros senadores para marcar a data da sabatina do ex-advogado-geral da União André Mendonça, indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo presidente Jair Bolsonaro.

    A indicação foi feita em 13 de julho, mas Alcolumbre travou a ida de Mendonça ao Supremo por não pautar a sessão em que os senadores questionam o indicado e votam sobre sua aprovação ao cargo de ministro da corte. O tempo de espera para a sabatina, que chegou a 90 dias nesta quarta (13), é recorde.

    Foi a primeira vez que Alcolumbre se manifestou publicamente sobre o assunto. Bolsonaro tem criticado abertamente o senador pela demora para marcar a sabatina. Nesta quarta (13), o presidente disse à emissora CNN Brasil que o parlamentar estaria “jogando fora das quatro linhas da Constituição”. Senadores como Esperidião Amin (PP-SC), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Alvaro Dias (Podemos-PR) cobraram um posicionamento do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-GO), sobre o tempo de espera para a sabatina. Pacheco prometeu analisar o caso.

    Na nota que divulgou, Alcolumbre diz estar sofrendo “agressões de toda ordem” por causa da demora para pautar a análise da indicação de Mendonça. Sem citar o nome de Bolsonaro nem o do seu indicado ao Supremo, ele afirma que nunca subordinou “o exercício do mandato a qualquer troca de favores políticos com quem quer que seja”. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o senador condiciona a marcação da sabatina à certeza da reprovação do indicado de Bolsonaro ao Supremo.

    Alcolumbre também afirma no texto que, em sua visão, a prioridade do Legislativo neste momento é tratar de temas econômicos, como a alta do desemprego e a busca de saídas para a inflação.

    “Tramitam hoje pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal cerca de 1.748 matérias, todas de enorme relevância para a sociedade brasileira. A prioridade do Poder Legislativo, no momento, deve ser a retomada do crescimento, a geração de empregos e o encontro de soluções para a alta dos preços que corroem o rendimento dos brasileiros.”

    Davi Alcolumbre

    Senador, em nota divulgada nesta quarta-feira (13)

    O senador ainda diz ser vítima de agressões por seu judeu — André Mendonça, que é pastor presbiteriano, foi indicado por Bolsonaro com apoio de líderes evangélicos. “Agridem minha religião, acusam-me de intolerância religiosa, atacam minha família, acusam-me de interesses pessoais fantasiosos”, afirma Alcolumbre na nota. Ele termina o texto dizendo que “querem transformar a legítima autonomia do presidente da CCJ em ato político e guerra religiosa” e que não aceitará ser “ameaçado, intimidado, perseguido ou chantageado”.

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