Ex-presidente da Braskem é condenado à prisão nos EUA

Justiça americana afirma que José Carlos Gubrisich participou de um esquema envolvendo subornos a funcionários do governo brasileiro e partidos políticos. Além dos 20 meses de prisão, o executivo deverá pagar US$ 2,2 milhões em indenização

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    O ex-presidente da petroquímica Braskem José Carlos Gubrisich foi condenado nesta terça-feira (12) a 20 meses de prisão pela Justiça dos EUA por participação em um esquema de corrupção envolvendo subornos a funcionários do governo e partidos políticos do Brasil. Gubrisich também deverá pagar 2,2 milhões de dólares a título de indenização.

    No comunicado que anunciou a sentença, a Justiça americana afirmou que Grubisich e aliados desviaram aproximadamente 250 milhões de dólares da Braskem para um fundo secreto, criado a partir de contratos fraudulentos e empresas de fachada controladas secretamente pela empresa. O fundo era usado para subornar funcionários públicos e partidos políticos brasileiros, garantindo contratos públicos. O esquema teria ocorrido entre 2002 e 2014.

    O processo nos EUA decorre de um acordo de leniência fechado pela Odebrecht e pela Braskem com autoridades brasileiras e americanas no âmbito da Operação Lava Jato. No período em que ocorreu o esquema, a Braskem era controlada pela Odebrecht e tinha a Petrobras como acionista. A condenação deu-se devido à violação da Lei de Práticas de Corrupção no Exterior (FCPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.

    Grubisich havia sido denunciado pelas autoridades americanas em 2019. Em novembro daquele ano, foi detido na porta do avião quando desembarcava em Nova York para uma viagem de lazer. O executivo permaneceu preso no país até abril de 2020, quando saiu após pagar fiança de 30 milhões de dólares.

    Em abril de 2021, Grubisich se declarou culpado das acusações. O executivo admitiu que conspirou para desviar recursos da Braskem e que, enquanto CEO da empresa, concordou em pagar subornos para garantir a manutenção de um contrato para um projeto da Petrobras. Além disso, confessou que falsificou livros e registros da Braskem e que apresentou certificações falsas às agências reguladoras dos EUA.

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