Arcebispo de Aparecida critica armamentismo em sermão

No dia da padroeira do Brasil, Dom Orlando Brandes não cita presidente, mas se opõe a pontos associados ao bolsonarismo, como o armamento da população, a disseminação de fake news e o negacionismo científico

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    O arcebispo de Aparecida (SP), Dom Orlando Brandes, criticou a agenda do presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira (12) durante missa de homenagem ao Dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. Sem citar nominalmente o chefe do Executivo, Brandes tocou em pontos associados ao bolsonarismo, como o armamento da população, a disseminação de fake news e as críticas à ciência.

    Para ser pátria amada, seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira

    Dom Orlando Brandes

    arcebispo de Aparecida, durante celebração do Dia da Padroeira

    Fazendo referência ao slogan de Bolsonaro, o arcebispo afirmou que “para ser pátria amada [o Brasil] não pode ser pátria armada”. Desde que assumiu a presidência, Bolsonaro assinou ao menos 30 atos normativos para desburocratizar o acesso a armas e munições, parte deles revogada. Ainda assim, levantamentos apontam um aumento na exportação e circulação de armamentos no país.

    Em outro trecho, Brandes lamentou os mais de 600 mil óbitos causados pelo novo coronavírus e defendeu a vacina e a ciência, escanteadas por Bolsonaro desde o início da pandemia. O presidente incentivou o uso de remédios comprovadamente ineficazes contra a doença e ignorou ofertas de imunizantes no segundo semestre de 2020. “Vacina sim, ciência sim e Nossa Senhora Aparecida junto salvando o povo brasileiro”, disse o arcebispo.

    Questionado se o sermão era um recado ao presidente, o arcebispo respondeu que a mensagem foi endereçada a todos os brasileiros. Os ministros da Cidadania, João Roma, e da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, acompanharam a cerimônia. Horas após término da celebração, Bolsonaro foi ao no Santuário Nacional Aparecida, onde foi recebido com aplausos e vaias e ouviu um sermão com referências à situação atual do país - incluindo o desemprego e a pandemia.

    Brandes já havia se contraposto a Bolsonaro em outros sermões. Em 2020, criticou as queimadas na Amazônia e no Pantanal, dias após o presidente negar sua existência na Assembleia Geral da ONU ao afirmar que o Brasil era vítima de uma “campanha internacional de desinformação”. Em 2019, o arcebispo se mostrou contrário ao que ele apelidou de “dragão do tradicionalismo” e classificou a direita como “violenta e injusta”.

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