Diretor da PF afasta delegado que investigava filho de Bolsonaro

Superintendente do Distrito Federal ficou poucos meses no cargo responsável por coordenar apurações envolvendo Jair Renan

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    O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, decidiu pelo afastamento do delegado Hugo Correia do cargo de superintendente do órgão no Distrito Federal. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (8). Correia era o policial encarregado de comandar as investigações do inquérito das fake news e de um suposto tráfico de influência envolvendo Jair Renan, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro.

    De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o estopim para o afastamento de Correia foi a operação policial de busca e apreensão na casa de Tatiana Bressan, ex-estagiária do ministro Ricardo Lewandowski no Supremo e suposta informante do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. Segundo o jornal, Maiurino soube da operação minutos antes da deflagração, e a falta de comunicação teria sido mal recebida por ele. Correia foi nomeado superintendente do Distrito Federal em maio, no começo da gestão de Maiurino, que substituiu Rolando Alexandre de Souza na chefia da PF. Segundo o Estadão, um delegado do Rio de Janeiro deve ocupar o posto de Correia. O possível nome não havia sido anunciado até a tarde desta sexta (8).

    Em março de 2021, a Polícia Federal abriu um inquérito sobre os negócios do estudante de 23 anos Jair Renan, caçula entre os filhos homens de Bolsonaro, por suspeita de tráfico de influência. Representantes dos grupos WK e Gramazini Granitos e Mármores Thomazini, que doaram um carro elétrico avaliado em R$ 90 mil a um projeto parceiro da empresa de Renan, conseguiram reuniões com o presidente e com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Eles pretendem vender ao governo federal um projeto de construção de casas populares de pedra. O próprio Jair Renan já fez reuniões com ministros e recebeu serviços gratuitos de uma produtora que tem contratos com o governo federal.

    Documentos da CPI da Covid mostram que Jair Renan abriu sua empresa de eventos em outubro de 2020 com ajuda de Marconny Faria, lobista da Precisa Medicamentos – farmacêutica investigada pela comissão por ter intermediado as negociações suspeitas da vacina indiana Covaxin com o Ministério da Saúde. Segundo Marconny, sua relação com Jair Renan também levou a sua apresentação à mãe do jovem e ex-companheira de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle. A CPI suspeita que ela interfere na indicação de cargos no governo federal, promovendo interesses de lobistas. Ao ser questionado se Ana Cristina agiu a seu pedido para facilitar a nomeação de pessoas para cargos no governo federal, Marconny escolheu ficar em silêncio na CPI.

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