Site relata planos da CIA para sequestrar e matar Assange

Reportagem do Yahoo News afirma que Mike Pompeo, ex-diretor da agência de inteligência americana e ex-secretário de Estado, queria se vingar do fundador do Wikileaks

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    A CIA (a agência de inteligência americana) criou planos para sequestrar e considerou até assassinar o ativista e fundador do WikiLeaks Julian Assange no período em que ele estava asilado na embaixada do Equador na Inglaterra, afirma uma reportagem publicada no domingo (16) no site americano Yahoo News. O relato é feito com base em entrevistas com mais de 30 ex-funcionários do governo dos EUA.

    Segundo o site, os planos surgiram em 2017, após o vazamento de dados da CIA pelo Wikileaks que ficou conhecido como “Vault 7” (cofre 7). Os documentos vazados traziam informações sobre como a agência espionava aparelhos de celular e até TVs, ativando microfones mesmo quando os aparelhos estavam desligados.

    De acordo com o Yahoo News, o ex-diretor da CIA Mike Pompeo, recém-nomeado pelo então presidente Donald Trump, queria “vingança” contra o WikiLeaks e Assange. Segundo ex-agentes ouvidos pela reportagem, Pompeo liderou uma campanha para aprovar os planos sem se importar com restrições legais à ação. Os planos deram origem a um intenso debate no governo Trump não só sobre a legalidade do sequestro, mas a respeito da viabilidade da operação. A direção da CIA chegou a solicitar “esboços” ou “opções” para assassinar Assange — uma das alternativas estudadas foi envenená-lo, por exemplo.

    Apesar de ter avançado no governo Donald Trump, a ideia de sequestrar Assange surgiu ainda durante do governo Barack Obama, segundo a reportagem. Os planos incentivados por Pompeo — que também foi ex-secretário de Estado do governo Trump — só não foram adiante porque o Departamento de Justiça dos EUA acelerou sua estratégia jurídica para tentar resolver o impasse envolvendo Assange. Nem Pompeo bem a CIA quiseram comentar a reportagem.

    Alvo de 18 acusações nos EUA, entre elas a de espionagem de informações confidenciais do Exército americano, o fundador do Wikileaks deixou a embaixada do Equador depois de mais de seis anos de asilo político ao ser preso em Londres em abril de 2019. Sua prisão foi possibilitada pela decisão do governo equatoriano de revogar o asilo.

    Assange temia ser extraditado aos EUA, mas o pedido feito pela Casa Branca foi negado em janeiro de 2021 pela Justiça do Reino Unido. Ele continua preso na Inglaterra, acusado de violar as condições do acordo de fiança de outro pedido de extradição, feito pela Suécia, onde o australiano foi acusado de estupro — o caso foi arquivado.

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