Para Aziz, governo adotou mesmas medidas da Prevent Senior

Presidente da CPI da Covid, senador disse que propagação do tratamento precoce, ineficaz contra a doença, era ‘propaganda positiva’ para a operadora de saúde

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    Para o senador Omar Aziz, presidente da CPI da covid, o caso da Prevent Senior, que deu mais fôlego à comissão em sua reta final, está provado e o governo Bolsonaro adotou as mesmas medidas que a operadora de saúde. A Prevent Senior virou alvo da CPI depois que médicos e ex-funcionários da empresa fizeram um dossiê relatando práticas de subnotificação de mortes por covid-19 e pressão para a prescrição do tratamento precoce, ineficaz contra a doença, em hospitais da rede.

    Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Aziz disse ver ligação da empresa com o governo, que também difundiu o tratamento precoce inclusive por meio de um aplicativo que recomendava medicamentos do kit. “Para eles, era uma propaganda positiva, aumentou o número de usuários do sistema Prevent Senior”, disse Aziz ao jornal. Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro divulgou nas redes sociais dados de um estudo da operadora de saúde, apontado como fraudado pelo dossiê. “Essa autonomia médica que todo mundo fala, o Bolsonaro fala, permitiu que os caras fizessem o que quisessem”.

    Diretor da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior depôs à CPI da Covid na quarta-feira (22) e admitiu que a operadora alterou o código de diagnóstico dos pacientes com covid-19 depois de alguns dias de internação. A empresa nega, no entanto, que isso tenha se refletido nos atestados de óbitos. Batista Júnior também negou que a Prevent Senior tenha ocultado a morte de pacientes em um estudo sobre a eficácia do “kit covid” ou que tenha pressionado médicos para receitarem os remédios.

    Ao longo da pandemia, estudos feitos com padrão ouro e publicados por cientistas do mundo todo comprovaram a ineficácia do tratamento precoce contra a covid. Apesar disso, a empresa ainda faz uso dos medicamentos, segundo afirmou o diretor na CPI. O presidente Jair Bolsonaro também segue defendendo a prática, inclusive em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, feito na terça-feira (21).

    Omar Aziz disse à Folha que um dos principais pontos abordados no relatório final da CPI deve ser o crime contra a vida cometido por defensores e propagadores do tratamento precoce. Segundo o senador, isso levou a óbito muitas pessoas. Aziz disse que o relatório vai recomendar o indiciamento de vários membros do governo Bolsonaro por esse crime e também pelos crimes sanitário e de omissão. Questionado se o procurador-geral Augusto Aras pode acabar engavetando o relatório final apresentado pela comissão, Aziz disse que o documento é muito consistente e que Aras "não é o dono da verdade". Não dá para você achar que uma instituição como o Ministério Público Federal, que tem procuradores de vários pensamentos, ache normal chegar a 600 mil vidas [perdidas] e fazer de conta que não está acontecendo nada, afirmou.

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