Projeções na Alemanha indicam resultado acirrado e pulverizado

Sociais-democratas têm pequena vantagem, mas pesquisas apontam que nenhum partido deve chegar a 30% do Parlamento e definição do sucessor de Angela Merkel vai demorar

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    As pesquisas de boca de urna divulgadas pela imprensa alemã na tarde de domingo (26) confirmam as projeções anteriores de que esta é uma eleição de resultados imprevisíveis e a definição do novo chanceler vai depender de uma costura de alianças provavelmente demorada. Os dois principais partidos que buscam a maioria no Parlamento, os sociais-democratas da SPD (Partido Social-Democrata) e os conservadores da CDU (União Democrata-Cristã), aparecem em uma disputa acirrada. Projeções das redes de televisão ARD e ZDF, o SPD colocam os sociais-democratas na frente, com 25,8% dos votos, enquanto os conservadores têm 24,1%.

    A CDU é a sigla da atual chanceler alemã Angela Merkel. No domingo, o secretário-geral da SPD, Lars Klingbeil, disse que o partido tem a missão de formar uma coalizão e que o candidato da legenda, Olaf Scholz, deveria ser o chanceler. Scholz discursou a apoiadores e disse que muitos vão torcer pela SPD porque querem que o próximo chanceler da Alemanha se chame Olaf Scholz.

    O partido de Merkel, que teve seu pior resultado em décadas, também se coloca como potencial líder na formação do novo governo. Armin Laschet, nome da CDU para chanceler, disse que sua sigla recebeu “um claro mandato” dos eleitores, e sinalizou à agência Reuters que seu partido não pretende ceder: “Não temos um resultado final claro, nem números certos... Faremos de tudo para formar um governo liderado pelos conservadores”.

    Na Alemanha, o cargo de chanceler equivale ao de primeiro-ministro e nos últimos 16 nos foi ocupado por Angela Merkel, a chanceler mais longeva da história do país, que decidiu não se candidatar novamente em 2021. Por contar com um sistema parlamentarista, a Alemanha elege seu líder máximo de forma indireta. Ou seja, o partido com mais assentos no Parlamento é quem indica o primeiro-ministro que governará. Caso nenhum partido obtenha a maioria dos assentos (que nestas eleições equivalem a 300 dos 598) é necessário formar uma coalização com outras siglas para governar.

    A eleição de 2021 caminha para ter o resultado mais pulverizado num pleito federal desde o pós-Guerra, aponta o jornal alemão Deutsche Welle. Se as previsões da pesquisa de boca de urna de concretizarem, essa será a primeira vez desde 1950 que a coalizão precisará ser composta por pelo menos três partidos diferentes. Dono do terceiro melhor resultado, o Partido Verde deve ser uma peça essencial na aliança. A legenda, que teve crescimento significativo em relação à eleição de 2017, parabenizou o SPD pelo “sucesso eleitoral”.

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