Diretor da Prevent Senior passa a ser investigado pela CPI

Pedro Benedito Batista Júnior admite orientação para mudança de prontuários de pacientes com covid-19, mas nega que a empresa ocultou mortes causadas pela doença, como aponta dossiê elaborado por médicos

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O diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, passou de testemunha para investigado pela CPI da Covid nesta quarta-feira (22). A decisão foi anunciada pelo relator da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), após Batista Júnior admitir à CPI que a empresa orientou médicos a alterarem prontuários de pacientes com coronavírus.

A determinação era mudar o código CID (Classificação Internacional de Doenças) no diagnóstico de pacientes com covid-19 após 14 ou 21 dias da entrada no hospital, a depender do histórico de internação — o prazo maior foi instruído no caso de pessoas com passagem em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Segundo o diretor da Prevent Senior, a medida servia para identificar pacientes que não representavam mais risco de contágio para médicos e funcionários. Os senadores da comissão, no entanto, entenderam que a prática representa manipulação de dados para subnotificar casos e mortes provocadas pela covid-19.

No depoimento, Batista Júnior negou que a empresa tenha deixado de relatar mortes pela doença, como aponta um dossiê elaborado por médicos e ex-médicos da Prevent Senior enviado à CPI. O documento afirma que a empresa fez estudos sem autorização com remédios ineficazes contra a covid – como hidroxicloroquina e azitromicina – e ocultou mortes de pacientes causadas pela doença durante a pandemia. A informação foi divulgada em 16 de setembro pela Globonews.

O dossiê também apontou que o estudo foi o desdobramento de um acordo entre a Prevent Senior e o presidente Jair Bolsonaro para disseminar a cloroquina. Batista Júnior rebateu as acusações na CPI.

O diretor da operadora de saúde acusou médicos ex-funcionários da Prevent Senior de fraudar dados internos da empresa para elaborar o dossiê. Ele também negou ter qualquer relação com o governo federal ou com o suposto gabinete paralelo da Saúde, que defendia o “tratamento precoce” do “kit covid”, ineficaz e defendido por Bolsonaro.

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