Funai renova por seis meses ordem de proteção a indígenas isolados

Desde 2008, medidas a favor dos Piripkura costumavam garantir área para o isolamento por pelo menos três anos. Terra é disputada por grileiros, garimpeiros e agricultores

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    A Funai (Fundação Nacional do Índio) renovou nesta sexta-feira (17) por apenas seis meses uma ordem de proteção para a área de 242 mil hectares no oeste do Mato Grosso onde vivem os Piripkura — um povo isolado na Amazônia do qual se conhecem apenas dois homens. Desde 2008, a ordem vinha sendo renovada por um prazo de três anos.

    A portaria de 2018 que determinava a proteção do território venceria no sábado (18). A área ainda está em processo de demarcação, mas com a portaria em vigor fica restrita ao uso e circulação dos indígenas.

    Segundo lideranças indígenas e organizações de defesa dos povos originários do país, a região enfrenta a pressão de grileiros, madeireiros e pecuaristas. “Gente branca chegou na madrugada e mataram a todos, mataram a minha sogra, mataram nove. Minha família fez uma canoa e escapou”, disse a irmã de um dos indígenas isolados, sobre um massacre ocorrido anos atrás, segundo a agência de notícias Reuters.

    Para o grupo Survival International, que falou à Reuters, a medida da Funai é, na prática, uma forma de o governo Jair Bolsonaro medir as reações da sociedade antes de acabar de vez com a proteção. O procurador do Ministério Público Federal Ricardo Pael Ardenghi, que atua no caso, destaca que a Funai selecionou uma equipe para cuidar do caso dos Piripkura que carece de experiência com povos isolados, além de ter alguns de seus membros ligados ao setor agrícola, em conflito de interesse com os indígenas.

    Em julho, o Ministério Público Federal conseguiu na Justiça uma decisão liminar para a expulsão de agricultores da Terra Piripkura, mas a ordem ainda não foi executada pela Polícia Federal.

    A Procuradoria-Geral da República informou em nota que há 55 pedidos de exploração mineral nas terras dos Piripkura. Segundo o portal G1, pelo menos oito cooperativas e empresas de garimpo pediram autorização para a ANM (Agência Nacional de Mineração) para explorar o subsolo do entorno da área e aguardam decisão.

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