Racionamento de energia pode zerar crescimento em 2022

Previsão é da XP Investimentos. Mesmo em cenário menos drástico, perspectiva de expansão do PIB caiu de 1,7% para 1,3%

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    Um eventual racionamento de energia elétrica devido à crise hídrica pode praticamente zerar o crescimento do país em 2022 caso haja uma redução compulsória de 10% no consumo de eletricidade. Nesse cenário, o Brasil perderia 1,2 ponto percentual do PIB (Produto Interno Bruto) ao longo do ano, segundo previsão divulgada nesta terça-feira (14) pela XP Investimentos.

    A perspectiva da corretora em relação à atividade econômica é que a recuperação prossiga no curto prazo, com crescimento de 5,3% do PIB em 2021. Para 2022, porém, o cenário continua se deteriorando e previsão de expansão foi reduzida de 1,7% para 1,3%. Entre as razões para isso estão os juros altos, que afetam as condições de financiamento e os níveis de investimento e consumo.

    O cenário pode piorar com um possível racionamento de energia — o que a XP considera improvável, com chances entre 20% e 30% de acontecer. “Para o ano que vem tem elevação das incertezas, e estimamos variações [trimestrais do PIB] bem próximas a zero. Não dá para descartar um cenário de recessão técnica”, afirmou o economista Rodolfo Margato.

    As incertezas políticas e fiscais, somadas à crise hídrica e à disseminação da inflação, levaram a XP a projetar maior aperto monetário e pressão adicional sobre o câmbio. A projeção para a taxa cambial passou de R$ 4,9 para R$ 5,2 por dólar ao fim de 2021. Para o fim do ano seguinte, o reajuste foi de R$ 4,9 para R$ 5,1 por dólar.

    Considerando que a pressão sobre a inflação está mais persistente e disseminada, a XP também aumentou a projeção para a taxa básica de juros Selic de 7,25% para 8,5%, percentual que deve marcar o encerramento do ciclo de aperto monetário em 2022. Atualmente os juros básicos estão em 5,25%. A XP manteve sua projeção de inflação para 2022, com alta de 3,7% no IPCA. A previsão para 2021 é que a taxa fique em 8,4%.

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