Presidentes da Câmara e do BC criticam Petrobras por aumentos

Em audiência no Congresso, o presidente da estatal Joaquim Silva e Luna negou o repasse de oscilações pontuais no preço do petróleo e culpou tributos estaduais por reajuste da gasolina. Explicação já foi contestada por economistas

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    Ao comentar a política de preços da Petrobras, que segue a variação do valor do barril de petróleo no mercado internacional e portanto deixa o valor dos combustíveis sujeito às flutuações do câmbio, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, criticou nesta terça-feira (14) a estatal por repassar reajustes de forma muito mais rápida do que ocorre em outros países.

    “No Brasil o mecanismo [de repasse] é um pouco mais rápido, lembrando que a Petrobras passa preços muito mais rápido do que grande parte dos outros países, a gente tem olhado isso também”, afirmou Campos Neto em evento organizado pelo banco BTG Pactual.

    A declaração do presidente do Banco Central foi dada um dia depois de o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, questionar a alta recente do preço dos combustíveis e cobrar a estatal. “A Petrobras deve ser lembrada: os brasileiros são seus acionistas”, disse Lira na segunda-feira (13). Em 2021, o preço da gasolina atingiu o valor mais alto desde 2004. Em algumas cidades do país, o valor ultrapassou os R$ 7 por litro.

    Nesta terça (14), o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, negou que a empresa repasse oscilações pontuais dos preços internacionais do petróleo para o valor dos combustíveis durante uma audiência na Câmara dos Deputados. Ele culpou os tributos estaduais pelos preços elevados. O principal é o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço), que responde por 27,8% do valor final da gasolina nos postos.

    Com o argumento, Luna repetiu o discurso que tem sido usado pelo presidente Jair Bolsonaro sobre o tema. No entanto, segundo economistas ouvidos pelo Nexo, Bolsonaro está errado ao culpar imposto estadual pela elevação de preços durante seu governo. O ICMS, em média, se manteve estável em termos da participação no preço da gasolina desde 2020. A parcela da Petrobras, por sua vez, cresceu no período.

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