Léo Pinheiro recua de acusações contra Lula, diz jornal

Carta escrita à mão por empreiteiro serviu para que investigações sobre suspeitas de corrupção contra o ex-presidente fossem arquivadas, segundo O Globo 

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    O ex-presidente da empreiteira OAS Léo Pinheiro voltou atrás em acusações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que constam em sua delação premiada feita no âmbito da operação Lava Jato. O recuo aparece em uma carta, escrita à mão pelo próprio empreiteiro, que foi revelada nesta terça-feira (14) pelo blog da jornalista Bela Megale no jornal O Globo.

    O manuscrito foi elaborado em maio de 2021 e anexado no mês seguinte ao processo que acusava o ex-presidente de corrupção e tráfico de influência internacional para favorecer a OAS. Segundo o jornal, a carta foi um dos elementos que levaram ao arquivamento da investigação na sexta-feira (10).

    No texto, Pinheiro nega ter autorizado ou tido conhecimento de pagamentos de propina a autoridades. Ele escreve ainda não saber se Lula agiu para beneficiar a empresa em negociações e nega a obtenção de vantagens pela OAS por meio do ex-presidente.

    A versão contradiz o conteúdo de sua delação premiada na Lava Jato, em que Pinheiro diz que Lula solicitou uma audiência com o presidente do Banco Centro-Americano de Integração Econômica durante uma viagem à Costa Rica com objetivo de aumentar a participação do Brasil na estrutura societária da instituição financeira e “credenciar a OAS a realizar parceria” com o banco. O empreiteiro também havia dito que Lula se comprometeu a falar com a ex-presidente Dilma Rousseff e com o então ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para aumentar a participação do Brasil no banco.

    Segundo o jornal O Globo, pessoas ligadas a Pinheiro disseram que ele pretende rever outros trechos de seu acordo de delação envolvendo Lula. Um depoimento do empresário foi usado para condenar o ex-presidente no caso do tríplex do Guarujá, mas o caso foi anulado quando o Supremo Tribunal Federal considerou parcial o julgamento feito pelo ex-juiz Sergio Moro.

    Em nota, a defesa do empreiteiro negou que a carta tenha servido como retratação, disse que ela contém respostas a questionamentos específicos de autoridades e que O Globo “descontextualizou as afirmações de Léo Pinheiro”.

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